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Devocional: Hebreus 2 – O perigo de não compreender o ato expiatório de Jesus.

 



 

Leia Hebreus 2

 

O autor da carta aos Hebreus faz bastante uso da conjunção entre orações como forma de coordenar os argumentos dando-lhes relação de causa e efeito.

 

O capítulo 2 começa exatamente com  uma ligação desse tipo por esta razão. Ou seja devido aos argumento apresentados no primeiro capítulo sobre a majestade e senhoria de Cristo ele nos leva a ter em mente a riqueza e valor das verdades do Evangelho. Num mundo de verdade fluída e saberes construídos, o autor nos apresenta o conceito de verdades absolutas, imutáveis e que devem ser abraçadas com firmeza.

 

A salvação citada aqui nesse texto compreende não apenas um mero ato de recebimento da mesma mas toda uma compreensão do que envolve tanto antes quanto depois do ato salvífico de Cristo. Recentemente escrevi uma série de artigos sobre a pessoa de Jesus que sugiro que sejam lidos, clique aqui.

 

Essa salvação pregada inicalmente por anjos, anunciada e consumada em Jesus, e agora pregada pelos apóstolos embute como verdades:

 

a)    A herança do mundo vindouro (v. 5; 11.16).

b)   A entrada na glória como os filhos adotados por Deus lv. 10);

c)    A purificação dos pecados 11.3; 2.11, 17);

d)   A libertação do medo da morte l vs. 14-15); e

e)    O privilégio de aproximar-se de Deus. (4:16; 10.22).

 

Com o objetivo de oferecer-lhe um culto aceitável (12.28; 13.15-16).

 

O autor usa uma figura mal compreendida continuando novamente numa conexão entre textos. Muitas vezes vi usarem o texto onde do verso 7, como se o autor estivesse se referindo a todos os homens, é um equivoco, a referência aqui é  o próprio Filho de Deus, em seu esvaziamento (Kenosis) que se fez um pouco menor do que os anjos ao assumir a sua natureza humana.[1] Mas o mais importante aqui é entender que esse ato de Jesus, o Evangelho, restaura o homem a sua posição de honra na criação de Deus.

 

Porém ainda. Não conseguimos vislumbrar toda a glória da vitória de Cristo e a sujeição completa de todas as coisas a Ele[2] por nossa condição ainda de não totalmente restaurados, mas não há dúvida, conforme apresenta o autor, que o breve tempo de sujeição e humilhação de Cristo, sua morte e ressureição o levasse a ser coroado de honra e glória.

 

A expressão provasse a morte por todo homem,[3] deve ser compreendida à luz do contexto e dos resultados da morte de Jesus, referindo-se não a toda a humanidade, mais uma vez refutamos totalmente conceitos universalistas que não encontram fundamento bíblico, Mas aos "muitos filhos" que Deus conduz à glória (v. 10). os quais

Jesus chama "irmãos" (v. 11). Aqueles pelos quais Jesus experimentou a morte:

 

a)    Foram feitos santos e perfeitos, uma vez para sempre; por sua morte (10.10,14).

b)   Tiveram suas consciências foram purificadas daqueles atos que conduzem à morte (9.14).

c)    Foram libertados do medo da morte (2.14-15)

 

O autor contrasta com aqueles que de alguma forma ou não confiam, ou diminuem o valor da obra de Cristo (mais uma vez o universalismo torna a obra de Cristo vilipendiada), e que agindo assim expõem Cristo. Ao ridículo (6.6). A advertência contra estes é bem dura, "já não resta sacrifício pelos pecados, pelo contrário, certa expectação horrível de juízo" (10.26-27).

 

No versos finais do capítulo 2,o autor apresenta a verdade que a morte de Cristo foi um ato inevitável e imprescindível para destruição do inimigo, expiação de pecados e libertação da escravidão para que os laços de irmandade fossem estabelecidos e assim a plena adoção como Filhos fosse efetivada.

 

Mais algumas verdades devem ser destacadas aqui.

 

a)    Jesus é o condutor dos eleitos à glória eterna que foi conquistada por Ele mesmo;

b)   A santificação é uma obra da trindade;

c)    Jesus nos chama de irmãos, e não se envergonha de ter-nos a seu lado ciente da purificação alcançada com seu ato expiatório;

d)   Cristo anuncia aos homens, seus irmãos, o nome de Deus. Ou seja o pleno conhecimento de Deus só existe através da redenção em Cristo Jesus;

 

Jesus declara sua confiança[4] no Pai e em seguida faz uma declaração muito agradável para nós, ele nos apresenta como presente a Deus, agradecido por nós termos sido dados a ele pelo próprio Pai.

 

O autor de Hebreus que conforme já dissemos tem uma preocupação bem forte em apresentar a pessoa de Cristo aos leitores de sua carta lista ainda que Jesus é:

 

a)    O Redentor;

b)   O Vencedor;

c)    Participante na carne e no sangue na humanidade, ou seja foi de fato homem;

 

Em contraponto a Satanás que é o acusador, aquele que tentou a humanidade ao pecado, e luta para que Deus destrua sua criação, Jesus é aquele que redime, e salva os seus. Temos um ponto aqui importante a destacar que o autor nos traz, não existe salvação para os anjos caídos.

 

Somente sendo totalmente homem e sendo tentado de todas as maneiras possíveis, como nós, podia ser:

 

a)    O misericordioso sumo sacerdote (4.15; 5.2).[5]

b)   O  fiel sumo sacerdote, sem pecado (4.15; 7 26); e

c)    Digno de oferecer a si mesmo como sacrifício imaculado (9.14).

 

Ele carregou sobre si a ira e maldição que estava sobre "o povo" que pecou (Romanos 3.25-26).

 

Sobre a heresia do universalismo sugiro a leitura desse artigo de Russel Shedd:https://bereianos.blogspot.com/2011/03/o-que-e-universalismo.html bem simples e direto.

 



[1] Hebreus 14:17

[2] Salmo 8

[3] Hebreus 3:6,14

[4] 2º Samuel 22.3; Isaías 8.17; 12.2

[5] 1º Samuel 2.35

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