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Os Evangelhos – A samaritana e o evangelho em Sicar. Parte 2 (14)

 



Leia João 4:1-42

 

Nessa segunda parte vamos abordar alguns aspectos da mensagem evangelística de Jesus.

 

Água viva.

 

Antes de tratar diretamente dessa aspecto precisamos lembrar de forma crítica um enorme bobagem herética proferida por um apostata moderno que conseguiu fazer uma exegese fraudulenta associando o termo “água viva” a uma ideia de ejaculação sexual, estamos falando do herege Kivtz.

O termo original se refere a uma fonte de água que brota do solo de forma contínua, estudiosos afirmam que era o caso do poço perfurado por Jacó. Mas o importante é que a ideia trazida por Jesus é de que ele é uma fonte continua e inesgotável de saciedade das reais necessidades humanas. Vale lembrar que se ficarmos sem comer e sem beber morreremos primeiro de sede do que de fome. A samaritana não entendeu de pronto tanto que até ironizou as palavras de Jesus e deu uma certa carteirada apelando para o patriarca Jacó.

Ela certamente apresentou aqui uma característica da religiosidade baseada em símbolos e referências para além de Deus e de sua revelação, foi a deixa para que Jesus afirmasse sobre si mesmo ser maior e superior a tudo, 

 

“Quem beber desta água tornará a ter sede; mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; mas a água que eu lhe der se tornar uma fonte de água que se manterá jorrando para a vida eterna.”

 

Água do poço de Jacó

Água viva

Não evita que se tenha sede novamente

Sacia a sede para sempre, uma sa

Satisfação eterna.

Não penetra a alma, incapaz de suprir as necessidades

Penetra na alma e ali vira uma fonte de gozo e satisfação espiritual

Sendo limitada em volume,

diminui e desaparece, sempre

que a bebemos

Se perpetua. Ela sustenta espiritualmente, com uma visào para a vida eterna.

 

Apesar de aceitar a ideia a mulher ainda tem uma compreensão errada pensando que Jesus estivesse falando de algo ainda material. Jesus então toma uma atitude que pode parecer inusitada e ordena.

 

Chame teu marido

 

Acredito que todos concordaram que Jesus sabia da condição conjugal daquela mulher e certamente ele queria instigar nela a compreensão do estado de pecado e de qual era verdadeiramente a sede dela que precisava ser e seria saciada por Jesus.

A resposta dela é um tanto quanto seca, provavelmente sentindo-se incomodada, “... não tenho marido.” Ela tão falante nas demais frases agora é quase monossilábica, apenas três palavras, nos outros argumentos ela passou de dez palavras neles. Então temos um aspecto muito importante do evangelho que e o próprio Jesus, ele deve incomodar a situação de pecado. Ela não era solteira, mas por alguma razão como seu casamento não era oficial, regular e aceitável diante de Deus, e com receio de ser recriminada ela se fecha e omite a informação.

Interessante que no grego a frase dela é “... não tenho um marido.” E a frase de Jesus muda a ênfase a repetir “... diz ... um marido eu não tenho.”, propositalmente Jesus inverte a ênfase focando na palavra marido, essa construção faz diferença no grego, para em seguida tocar na ferida. “... teve cinco ... mas o atual não é seu marido.”

A revelação de Jesus a faz compreender o caráter dele.

 

Vejo que és profeta

 

A revelação do pecado da mulher a fez compreender o caráter superior de Jesus, a associação que ela faz mais a frente com a ideia do Messias “... me disse o que tenho feito ... “ com “... declarará todas as coisas ...” demonstra que agora ela começa a ter a percepção. Diante disso ela busca conhecimento sobre.

 

Onde e como adorar

 

Não temos como afirmar com convicção qual a completa intenção da mulher com essa pergunta, pode tanto ser uma provocação quanto um desejo sincero de conhecimento, ou mesmo as duas coisas mas o fato é que foi a deixa para Jesus concluir sua apresentação, ela estava incomodada e o Espírito Santo atuava na vida dela.

Algumas coisas no discurso de Jesus que precisamos destacar:

a)    Crê-me. – Jesus é digno de atenção e total crédito.

b)   Chegando a hora – A ênfase na plenitude dos tempos nele mesmo cumprindo o plano eterno de Deus.

c)    Nem neste monte, nem em Jerusalém – Aqui Jesus demonstra de forma clara o caráter universal do chamado não mais somente para Israel mas para todo mundo gentílico.

d)   Não conhecem – uma adoração vazia de sentido.

e)    Salvação vem dos Judeus – Antes de pensarmos num caráter redentor a partir do povo, essa declaração fala sobre o próprio Cristo.

f)     A hora já chegou – Jesus é o cumprimento da profecia.

g)    Verdadeiros adoradores – Sim, nem todos podem adorar a Deus.

h)   Em Espírito e verdade – O sentido aqui é que apenas os possuidores do Espírito Santo podem oferecer a Deus um ato e uma vida de adoração verdadeiramente agradáveis a Deus.

i)      Está buscando como seus adoradores – Esses são os eleitos de Deus.

 

A incompreensão dos discípulos

 

Os discípulos quando chegaram se surpreenderam com a cena, certamente impactados e influenciados por seus preconceitos e falta de compreensão do verdadeiro caráter de Jesus que não perde tempo para lhes ensinar que o que realmente importa ao cristão assim como importava a Cristo era cumprir a missão.

A urgência

 

Ao ser definitivamente tocada pelo evangelho aquela mulher larga tudo corre a cidade e convoca os moradores para ouvirem e participarem junto com ela daquele momento. A Palavra não diz o número exato mas nos diz que muitos dali se converteram naquele momento.

 

A colheita

 

Jesus aproveita o episódio para ensinar mais uma vez aos seus discípulos qual o caráter do seu ministério, atingir os que são buscados, pecadores e doentes para serem curados e traz uma afirmação jubilosa, “para que o semeador e o ceifeiro possam alegrar-se juntos.”

Jesus ficou dois dias ali com eles, e suscitou a declaração deles que nem dependiam mais do testemunho da mulher mas eles mesmos enxergavam em Jesus o Messias prometido, a fé deles se manifestava.

Saindo de Sicar Jesus se dirige para a Caná, justamente onde seu ministério começou.

 

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