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Os Evangelhos – Os vendilhões do templo. (11)

 



 

Leia João 2:13-22; Lucas 19: 45- 48; Mateus 21: 12- 17; Marcos 11: 15- 19;

 

Há dúvidas sobre o momento na vida de Jesus em que teria ocorrido essa passagem. João a apresenta logo no início, os demais evangelhos o apresentam bem mais a frente. João descreve a purificação do templo como tendo ocorrido no começo do ministério de Jesus, enquanto os três Sinóticos registram uma tendo ocorrido no fim. É provável que Jesus tenha purificado o templo mais de uma vez, duas pelo menos. A narrativa de João é cuidadosamente datada[1] e as narrativas não são idênticas. Em João, Jesus vem com os seus discípulos e suas ações trazem à memória deles o SaImo 69.9. Na narrativa dos Sinóticos, Jesus vem em triunfal glória messiânica e justifica suas ações citando Isaías 56.7 e Jeremias 7 .11. Jesus, sem dúvida, está ciente de que Jeremias amaldiçoou o templo duas vezes.[2]

 

O tema principal é a afirmação da autoridade de Jesus.

 

Uma coisa importante é entender como era o templo.

 

Figura 1 - Representação do Segundo Templo construído por Herodes

Figura 1 - Representação do Segundo Templo construído por Herodes

Era costume as pessoas se dirigirem ao templo regularmente e por vários motivos para oferecer sacrifícios. O templo tinha várias subdivisões onde diferentes classes de pessoas podiam circular até o local mais interno que era o Santo, e o Santo dos santos onde apenas os sacerdotes e o sumo sacerdote respectivamente podiam entrar.

 

O pátio mais externo era o átrio dos gentios onde não judeus podiam entrar. O texto de João nos fala que havia venda de “... bois, ovelhas e pombas.” Exatamente animais que eram usados nos sacrifícios.

 

 

                                     Figura 2- Planta baixa do templo

Jesus notou que o pátio dos gentios havia se transformado num verdadeiro mercado. Havia fedor, sujeira, balido e mugido dos animais destinados ao sacrifício, mas certamente esse não era o problema, muito provavelmente havia um uso das dependências do templo por comerciantes e ainda muito provavelmente com ganhos para as lideranças religiosas. Jesus fez uma espécie de chicote, azorrague, Jesus não apenas espantou os animais como expulsou tanto os comerciantes quanto os cambistas, pessoas encarregadas de trocar dinheiro estrangeiro por dinheiro judeu.

 

Jesus, tomado de um zelo santo, voltou sua atenção para os que comercializavam dinheiro, e virou suas mesas, espalhando pelo chão o dinheiro dos cambistas. Não façam “... da casa de m eu Pai casa de negócio ...”[3], Jesus estava exercendo seu direito  e demonstrando sua autoridade como Filho unigênito do Pai.[4]

 

“E seus discípulos se lembraram de que está escrito: O zelo por tua casa me consumirá.” João 2:17[5]

 

Os judeus, certamente haviam líderes religiosos ali, questionaram com que autoridade Jesus teria feito aquilo. Era um direito deles questionar uma atitude radical como aquela, mas uma coisa passava por eles sem serem consideradas, a legitimidade da presença do comércio de animais ali, não havia uma preocupação com o cuidado da adoração, mas estavam mais preocupados em saber quem tinha feito. Mas de alguma forma eles estavam curiosos por saber, e até achar que ali havia de fato alguém especial, provavelmente um profeta.

 

A resposta de Jesus foi enigmática para eles, destruir o templo e reconstruir em três dias lhes parecia algo impossível. Essas palavras de Jesus foram distorcidas e usadas contra ele no julgamento, já que a profanação de um templo era algo grave. Mas Jesus estava profetizando sobre si mesmo, sua morte e ressureição.



[1] João 2.20; Mc 1.9;

[2]  Jeremias 7.1-14 e 26.2-6

 

[3] Zacarias 14.21

[4]  Lucas 2.49

[5] Salmo 69:9

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