Muito se fala, se reclama e se critica a falta de envolvimento de membros das igrejas com a Escola Bíblica Dominical. Falando de forma bem objetiva numa postagem curta sugiro que paremos para pensar nos porquês.
O mais óbvio e que vem logo a mente aponta para uma falta de espiritualidade da membresia. Será que essa seria a única e primária causa? Proponho analisarmos outras possíveis razões. Notem no entanto antes de irmos a elas que estamos falando de engajamento e não em números totais. Qual a diferença? Uma igreja pode ter 300 alunos na EBD mas se a embresia aponta que poderia ter 600 o engajamento é baixo, se uma igreja tem 100 membros e a EBD 90 alunos que efetivamente se envolvem, o engajamento é bom. Dito isso vamos propor alguns outros pontos que cada igreja deve avaliar.
1. Importância percebida pelos membros que a liderança da igreja dá ou não ao conhecimento real da igreja sobre as Escrituras.
Consideramos aqui como conhecimento ou aprendizado e entendimento das doutrinas que devem direcionar a vida dos cristãos no seu dia a dia. Não consideramos experiências e sim entender coisas simples como a nossa fé é dada por Deus, entendendo isso ficará claro que nada temos de merecimento em nossa salvação, e entendendo isso afastará de nós qualquer orgulho, e entendendo isso nos resta apenas gratidão, e entendendo isso nos atentaremos para a santificação...
Notaram que o conhecimento bíblico nos leva a uma cadeia lógica de compreensão e de ação?
Se a liderança da igreja, incluindo seu pastor, não sinaliza para a igreja que o aprofundamento do estudo nas escrituras, além e claro sem desprezar a devocionalidade, é importante como esperar que a congregação tenha essa visão?
2. Relevância do assunto a ser estudado.
Tem uma brincadeira que fala “ache aí um texto que preste para lermos no culto”, claro que todo escritura é inspirada e útil, mas como ela é utilizada para compreender os desafios do nosso dia a dia, e como ela pode ser aplicada nos dias atuais faz muita diferença. Como o que está sando estudado se desdobrará em nossos relacionamentos é o que dará a relevância do assunto que está sendo estudado.
Um outro aspecto é que comumente encontramos currículos de EBD totalmente desconexos e quase nunca focados nas necessidades e carências de conhecimento dos alunos. Pensar em currículos para vários anos então é quase uma quimera. A liderança da igreja deve atentar para este aspecto e se dedicar ao assunto sob pena de estar tranado a EBD apenas como um apêndice que está lá mas que ninguém de fato considera como realmente útil e necessário.
3. Qualidade do material fornecido.
É difícil compreender quando muitas vezes os alunos não tem acesso a nenhum material de apoio para estudo que pode até ser um ou mais livros indicados mas os líderes de EBD devem levar em consideração que nem sempre os livros estão ou são acessíveis aos alunos, além disso a característica, infelizmente, da maioria dos brasileiros é não conseguir fazer minimamente uma boa síntese. Então é muito interessante a maioria dos ambientes que professores e líderes da EBD providenciem guias de estudo até como forma de incentivar um estudo prévio da matéria que será abordada em sala de aula.
Talvez a dificuldade esteja no fato que professores só preparam suas aulas nos dias que a antecedem, quando o ideal seria que todo o material do curso esteja pronto antes mesmo das aulas começarem.
4. Qualidade das aulas apresentadas e como elas desafiam a compreensão e a prática dos alunos.
Aqui passa obviamente pelo professor que está ministrando as aulas. Dois equívocos que podem por tudo a perder. Enfatizar apenas o conhecimento pedagógico ou enfatizar apenas a visão de espiritualidade que temos do professor. As duas coisas devem estar unidas e não podem ser desprezadas. Cada professor deve ter domínio da matéria a ser aplicada, deve ter conhecimento de técnicas de ensino e usa-las de acordo com o necessário.
O professor deve estimular os alunos a participarem com suas dúvidas e isso pode ser feito através de perguntas sobra a aplicação.
Uma atitude que mata qualquer atenção a aula é o professor ficar lendo uma transparência ou projeção, se está projetado, as pessoas vão ler, cabe ao professor explicar contextos e aplicações. Não vamos aprofundar muito essa questão porque são exatamente as técnicas pedagógicas, até o tamanho da letra influencia.
São quatro pontos que servem tanto para alunos adultos quanto para classes de crianças. Antes de criticar ou lamentar a falta de engajamento dos membros da igreja na EBD de sua igreja procure ver se você como pastor está atento a essas questões. Não tratamos aqui do conteúdo por entendermos que seria uma platitude, mas é claro que o conteúdo deve estar de acordo com a confessionalidade da igreja, nem admitimos a hipótese de professores que tem discordância forte com o conjunto de doutrinas que fazem parte da confissão da igreja.

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