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Submissão as autoridades.

 



 

Leia 1ª Pedro 2:13-17 e Romanos 13:1

 

Esse assunto é bem espinhoso, sobretudo pelos tempos atuais onde mesmo dentro das igrejas é tratado com clima de decisão de campeonato, um Fla x Flu, ou aqui em Alagoas, um CRB x CSA daqueles bem pegados. Mas pedimos a todos que se disponham a ler que se dispam de qualquer preconceito em relação a figuras políticas da atualidade sejam de que lado elas estejam, do Garantido ou do Caprichoso. Por nossa vez não vamos fazer qualquer alusão a qualquer um dos personagens da política brasileira diretamente embora os leitores possam associar livremente dentro de suas mentes, mas vamos nos ater a princípios e passar longe de ideologias e partidarismos.

 

O primeiro ponto é que temos que afirmar que a Bíblia não é um livro que trata de ideários políticos, nem de esquerda, nem de direita e também não de centro. Notemos que o governo proposto por Deus para Israel era teocêntrico, sem governantes, haviam apenas juízes que decidiam sobre aquilo que não se resolvia diretamente pela obediência a Lei. Saul veio de um desejo do povo por um rei, e trouxe junto com ele todas as mazelas dos reinados absolutos.

 

A nossa submissão as leis e autoridades civis se estendem a todas as esferas, e é importante ressaltar que esse textos de Pedro está dentro de um contexto até mais amplo de submissão. Devemos entender que as instituições governamentais também estão sujeitas e inseridas no decreto divino. Alguns pontos que entendemos ser preciso destacar:

 

a)     A despeito de constituídas por Deus as autoridade não são divinas;

b)    O nosso dever de submissão e obediência está ligado ao servir a Deus e dar bom testemunho e não pelo poder das autoridades em si;

c)     A autoridade deve ser entendida de forma hierárquica;

d)    As punições pelo descumprimento das leis é justa ante os olhos do Senhor;

 

Porém alguém pode arguir se essa submissão tem ou não limites e se os tem quais são?

 

Mais uma vez voltemos a questão da soberania de Deus: “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:32). Deus é quem põe e retira qualquer autoridade, e o rei pode ser posto tanto para benção quanto para punição do povo.

 

Mas a resposta a pergunta é simples e complexa ao mesmo tempo. Sabendo que Deus ordenou estas autoridades, entendemos também que ele é quem as limita. Se uma ordem do governo entrar em conflito direto com a palavra de Deus, devemos lembrar que o Senhor é o soberano. “Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

 

Dito assim é simples mas na aplicação diária as coisas podem não ser tão simples assim. Tudo vai envolver muita sabedoria e discernimento do contexto. Desrespeitar as autoridades com palavras certamente não é correto, mas vemos exemplos de Jesus e João Batista fazendo isso em determinados momentos. Nos referirmos as autoridades com comparações vergonhosas, não é o correto mas o próprio Jesus e João no livro de Apocalipse o fazem. Então estaria liberado tudo? Claro que não também.

 

Minha posição pessoal é que:

 

a)     Devemos pagar nossos impostos como estabelecido e se estão altos usarmos nossos direitos civis para pedir o ajuste aos patamares justos;

b)    Devemos obedecer leis que sejam justas diante do Senhor, se elas não o são que nos manifestemos em respeito e amor sobre isso cobrando que sejam revogadas;

c)     Devemos respeitar em palavras e gestos as autoridades até o momento no qual elas estejam cumprindo seu papel de acordo com as leis;

d)    Devemos denunciar toda e qualquer injustiça e jamais participar delas quer sejam:

a.     Pela exploração injusta dos mais pobres (esqueçam qualquer possibilidade de enxergar em mim traços de doutrinas marxistas e socialistas);

b.     Pelo assassinato de inocentes e indefesos;

c.     Não punição de criminosos de qualquer grau, claro respeitadas um dosimetria adequada das penas;

 

A ética Cristã não é um manual de protocolos e procedimentos e depende muito de contextos, mas o principal é sempre perguntar, perguntar e perguntar se o que estamos fazendo e falando está de acordo com aquilo que move nossas almas, o amor a Deus e ao próximo.

 

 

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