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Devocional: Hebreus 9 – Um tabernáculo e um sacrifício superiores.


O capítulo nove se divide em três partes que se interligam de forma lógica.

 

a)    As ofertas e sacerdócios do Antigo do Testamento eram imperfeitos;

b)   O sacrifício de Cristo é perfeito e totalmente eficaz;

c)    O sacrifício de Cristo é eterno;

 

Já tratamos nos artigos anteriores de como o sacrifício e o sacerdócio de Jesus substituíram aqueles do antigo testamento que eram apenas sombras e figuras do que viria na plenitude dos tempos. Nesse capítulo o autor da carta aos Hebreus dá prosseguimento ao desenvolvimento da ideia da superioridade absoluta de Cristo em seu ofício.

 

Ele descreve inicialmente o antigo tabernáculo citando o véu que separava o Santo do Santíssimo ou seja a demonstração de como o distanciamento só seria desfeito na morte de Cristo quando o véu do templo se rasgou de cima a baixo.[1] Há toda uma simbologia nos elementos apresentados.

 

a)    Altar de ouro para o incenso - Quando o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, ele queimava incenso, produzindo uma fumaça para cobrir o propiciatório que ficava sobre o Testemunho, protegendo-se, assim, da pureza consumidora do Senhor (Lv 16.12-13).

b)   O bordão de Arão - A vara ou cajado que floresceu para mostrar que o privilégio sacerdotal vem somente pela designação de Deus (Nm 17.10).

c)    Querubins de glória - O "propiciatório" era a tampa da arca, e sobre ela as duas figuras de querubins com rostos voltados um para o outro, representando os cortesãos celestiais que servem constantemente na presença de Deus.

 

Mas o foco principal dele não é esse. Os sacerdotes entravam regularmente no Santo e no Santíssimo entrava apenas o sumo sacerdote, uma vez por ano, demonstrando que a aproximação do homem a Deus não era ainda totalmente livre, o conhecimento pleno de Deus só poderia acontecer na nova aliança em Cristo. A insuficiência dos sacrifícios do Antigo testamento são substituídos pela eficácia plena do sacrifício do Evangelho.

 

O autor do Hebreus vê os benefícios do tempo vindouro já experimentados

pela Igreja[2], o famoso já mas ainda não. Parte da realidade celestial já se apresenta na Igreja, mesmo que de forma ainda translúcida.

 

A eterna redenção é a aquisição através do pagamento do preço ou resgate e o efeito da redenção por Cristo é permanente, porque ela foi feita por seu próprio sangue. A purificação que era feita pela mistura das cinzas com água que antes eram cerimoniais e permitiam a participação no culto, com o sacrifício de Cristo essa purificação se torna permanente transformando nossa vida numa adoração constante a Deus.[3]

 

A morte de Cristo inaugura a renovação da aliança. A violação pelo homem do antigo pacto gerou uma condenação a morte, morte essa paga por Jesus na cruz como um substituto aceitável, na verdade o único substituto possível. Essa morte era inevitável, um testamento[4] só passa a vigorar a partir da morte daquele que o fez.

 

A aliança foi escrita no livro, porém tinha de ser ratificada com uma oferta de sangue. O sangue não era derramado por aqueles que poderiam ter transgredido a aliança, mas por animais que os substituíram[5] uma demonstração cabal que a penalidade da quebra da aliança foi a morte, apenas a purificação poderia resultar em perdão.

 

No mesmo sentido em que o santuário terreno foi purificado por sangue sacrificial e separado para ser o lugar onde pecadores pudessem aproximar-se de Deus, assim também, o verdadeiro santuário nos céus foi separado pelo sacrifício de Cristo, para ser o lugar onde pecadores podem entrar

e aproximar-se de Deus através do sangue.

 

Enquanto os sacrifícios do antigo testamento eram de certa forma uma recordação constante dos pecados, a oferta de Cristo apaga-os de forma completa e definitiva.

 

Os dois últimos versos ainda nos trazem um refutação direta a ideia de reencarnação. “... morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.” Tanto a reencarnação como a ideia de que a morte física é o fim de uma existência pessoal são refutados. Cristo experimentou o destino comum a todos os seres humanos: a morte e o juízo (v. 28), mas, para ele, o juízo consistiu em ressurreição e vindicação (1T m 3.16). Esta vindicação será plenamente manifestada quando ele voltar outra vez (1Ts 1.10).

 



[1] Mateus 27.51.

[2] Hebreus 6.5; 12.22-24

[3] Hebreus 12.28; 13.15-16,21

[4] A palavra traduzida por testamento é a mesma usada para aliança, “diatheke”.

[5] Genesis 15.9-18; Jeremias 34 18-20

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