É muito comum encontrarmos discursos estabelecendo uma pretensa dicotomia entre conhecimento e prática na vida cristã, sempre me soam sempre algo meio sem nexo.
Em nenhuma outra atividade humana temos esse debate, onde se contrapõem experiência prática e o conhecimento acadêmico. Alguém imagina um pedreiro dizendo a um engenheiro que o conhecimento dele não é necessário? Ou um médico pensando que pode ser um desperdício os seus tantos anos de sala de aula?
Vocês imaginam algum profissional bem qualificado que vive apenas pelo sentimento e a experiência? Claro que não estamos falando apenas de conhecimento formal, mas será mesmo que o método de tentativa e erro é o melhor método para quem quer ser um bom cristão?
Apenas no cristianismo moderno vamos ter pessoas afirmando que o conhecimento é desnecessário ou pelo menos dizendo que não é tão importante assim e que oque vale mesmo é a experiência pessoal de cada um. Não pensamos em desprezar a necessidade da existência de um experiência pessoal profunda e espiritual na vida do cristão mas encontrar a causa ou a ideia desse pensamento que talvez esteja por traz dessa aversão ao estudo e ao debate das questões doutrinárias.
As vezes me parece fortemente que as pessoas entendem que conseguem de si mesmas praticarem atos de justiça e isso em muito é movido pela ideia de que o sentimento amor é o que importa apenas. Por outro lado a afirmação “eu penso ser mais importante agir” sempre nos soa um tanto quanto arrogante por imputar ao que se esmera no estudo um julgamento prévio sem qualquer base fática.
Parece que é possível se viver o Evangelho apenas e somente apenas no campo das boas intenções e do bom coração. Um ditado bem antigo ensinava que o inferno está cheio de boas intenções. Claro que o contexto é outro, mas um fato inegável é que boas intenções podem sim levar a atos com consequências bem danosas. Sinceridade é essencial mas não é tudo. Uzá estava muito bem intencionado e preocupado, nem por isso deixou de ser fulminado.[1]
A Bíblia é um livro de princípios, não de regras, mas são esses princípios que quando estudados e bem entendidos nos mostram de fato quais são as boas obras que Paulo cita que foram preparadas para que andássemos nelas. Boas obras que não se referem a atos assistencialistas realizados de bom coração, mas sim a um comportamento íntegro dentro do que a Palavra nos ensina e não naquilo que achamos ser correto.
Não cremos que a vida de um cristão possa ser pautada apenas por esse sentimento emocional interior. E claro que o conhecimento sem prática é totalmente estéril assim como seria em qualquer atividade humana. O homem por mais conhecedor que seja das questões históricas, técnicas, sociais que não aplique esse conhecimento o torna inútil. Assim como uma prática baseada apenas nos sentimentos pode levar a erros drásticos.
Voltando ao princípio não há qualquer razão para que achemos razão para ressaltar um deles e desprezar o outro, conhecimento é essencial, a prática desse conhecimento é essencial. O próprio Jesus foi quem nos disse que devemos examinar as escrituras[2], Pedro nos ensina a sabermos a razão de nossa fé[3], ao desprezarmos mesmo que por um pouco a importância do estudo e aprofundamento bíblico fazemos dos escritos dos apóstolos, Paulo, Pedro e João, todos como cremos inspirados pelo Espírito Santo, coisas menos importantes também.
Diga
a não a essa ideia de que há qualquer antagonismo entre estudo e prática, os
dois caminham muito bem juntos. Um estudo bíblico na igreja é local de troca de conhecimento e de aprendizado teórico, a rua é o local de por esse conhecimento adquirido em prática.

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