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Antinomismo: Graça x Lei

 

Antinomismo

 


 

 

O que é:

 

Antinomismo é um sistema filosófico baseado em duas proposições contrárias, ambas coerentes e válidas, mas de conclusões e significados opostos. Em Teologia implica na doutrina que se pauta no princípio de que para ser cristão basta ter fé, rejeitando as normas de conduta estabelecidas pelos dez mandamentos, ou pela lei mosaica.

 

É conhecido que a ênfase principal dos primeiros reformadores foi a defesa da justificação única e exclusivamente pela fé em contraposição as diversas obrigatoriedades em relação a práticas que eram impostas pelo catolicismo romano. Foi na doutrina da justificação que Martinho Lutero (1483-1546) trouxe suas maiores contribuições teológicas para a Reforma:

 

a)    A justiça salvadora para os salvos e punitiva para os não salvos;

b)   A justiça é atribuída de forma graciosa e não conquistada por atos;

c)    A justiça é de Cristo e não nossa.

 

O antinomismo surge como um movimento que apregoa a oposição radical a lei negando qualquer importância da mesma na nova aliança e na vida dos cristãos.

 

Os gnósticos já durante o período da igreja primitiva trouxeram a lume essa ideia devidamente refutada por Pedro e por Judas.[1] Eles ensinavam que a salvação era só para a alma, tomando irrelevante o comportamento do corpo, tanto para o interesse de Deus quanto para a saúde da alma. A igreja de Corinto pode muito ter se visto nesse dilema de acordo com as abordagens de Paulo.[2]

 

No modo mais moderno, nos primeiros séculos logo após a reforma, o antinomistas defendiam que a atuação interior da graça é tal que negam a necessidade da pessoa ter qualquer ensino e cuidado com a lei na sua vida. A liberdade em relação à lei como meio de salvação traz consigo, segundo

eles, a negação da necessidade da lei como guia para a conduta.

 

Uma outra forma de antinomismo é o que diz que Deus não se importa com o pecado dos crentes, porque já estariam lavados por Cristo que cumpriu a lei. Mas esse conceito é rebatido por João.[3]

 

Mas será que existe uma eliminação da importância da lei? Será esse o ensino de Jesus e dos apóstolos no Novo Testamento?

 

A bíblia na verdade nos ensina que não é possível estar em Cristo e, ao mesmo tempo, adotar o pecado como meio de vida. Muitos tem apresentado esse conceito focando na afirmação que o importante é apenas o amor e esse seria a única lei que Deus exige dos cristãos.[4]

 

Paulo, no entanto, em Romanos 3, nos ensina que a lei moral revelada no Decálogo e exposta em outras partes das Escrituras é uma expressão da integridade de Deus, outorgada para ser o código de prática para o povo de Deus, em todas as eras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Não há qualquer oposição ou antagonismo entre a lei não e a graça advinda do amor e à bondade de Deus, sendo a busca do cumprimento da lei a expressão desse amor e bondade na prática. O Espírito Santo concede aos cristãos as condições para lutarem pelo cumprimento da lei, não para alcançar a salvação mas por tê-la alcançado, tornando-se cada vez mais semelhantes a Cristo, o cumpridor da lei.[5]

 

Esse artigo de Heber Campos Jr é bem mais extenso e apresenta com mais detalhes diversas formas de controvérsias e debates sobre a questão:

 

https://cpaj.mackenzie.br/lutero-e-os-antinomistas-qual-e-a-visao-evangelica-da-lei/



[1] 2ä Pedro 2; Judas 4-19

[2] 1ª Coríntios 14.37; 7.40

[3] 1ä João 1.8-2.1 e 3.4-1

[4] Romanos 3.31 e 1ª João 6.9-11

[5] Mateus 5:17

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