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Jesus, O Cristo - Quem era o Jesus encarnado, suas naturezas e para que andou entre nós?

 


Jesus, O Cristo - Quem era o Jesus encarnado, suas naturezas e para que andou entre nós?

 

Já abordamos no artigo anterior um pouco da questão das duas naturezas de Jesus, a divina e a humana, convivendo em harmonia, se comunicando, e exercendo seus papeis na vida e obra redentora de Cristo. Vamos aprofundar um pouco mais neste novo artigo. Achamos importante introduzir para os que não conhecem ou esclarecer um pouco mais o conceito de União hipostática (também conhecida como união mística ou dupla natureza de Cristo) que é a doutrina clássica da cristologia que afirma ter Jesus Cristo duas naturezas, sendo homem e Deus ao mesmo tempo. No concílio de Calcedônia em 431 o conceito foi mais formalizado.

 

Na doutrina reformada Cristo teve em seu ser a partir da concepção duas naturezas, a humana herdade de Maria e a divina trazida pelo Espírito Santo. Sendo as duas conviventes de maneira harmônica durante toda sua vida aqui entre os homens.

 

Tratando inicialmente da natureza humana podemos afirmar que Cristo é o penhor da nossa união com Deus. Através da sua humanidade, vivendo em obediência ao Pai nos ensina que devemos agir de forma semelhante. No entanto não podemos absorver que a missão precípua de Jesus tenha sido nos dar exemplo de comportamento e que essa imitação de experiência tem algo a ver com redenção. De forma mais contundente, a obediência fiel de Jesus a Lei de Deus demonstra nossa total incapacidade em cumpri-la e só através do próprio Jesus que ao se oferecer em sacrifício poder-se-ia apagar a culpa e aplacar a ira do Pai.[1]

 

Portanto a encarnação e a natureza humana de Jesus não teve outro propósito que a nossa redenção; restaurar o mundo decaído e socorrer os homens perdidos.

 

a)    Pelo seu sangue expiou os nossos pecados (Hb 9.22).

b)   Reconciliou Deus e homens.

c)    A cura veio pelas suas pisaduras (Is 53.4-6).

d)   Jesus foi o sacerdote que se ofereceu como vítima (Hb 9.11-12),

 

Nada há mais profundo senão que Cristo Jesus é o salvador dos perdidos.

 

“O Pai nos elegeu em Cristo antes da criação do mundo, para que nos adotasse por filhos, segundo o propósito de Sua vontade, e nos houve por aceitos no Filho Amado em quem temos a redenção pelo Seu sangue” (Ef 1.4-7).

 

Calvino entende que, certamente, não se pressupõe a queda de Adão como se a preceder ao decreto divino no tempo, mas se mostra o que Deus determina antes dos séculos, quando quisera trazer remédio à miséria do gênero humano. Mas esse debate do infra ou Supralapsarianismo[2] não abordaremos aqui.

 

No primeiro século já surgiram algumas heresias que pregavam que Jesus não era humano, sendo um espírito, ou que Jesus não era divino.

 

Se fôssemos tratar detalhadamente desse conceito teríamos alguns dezenas de páginas nesse artigo, não é nosso objetivo. Existe farto material a disposição especificamente sobre esse assunto.[3]

 

Num resumo prático, a encarnação de Cristo, com suas duas naturezas nos trouxe alguém que unificou as figuras de:

 

a)    Profeta;

b)   Sacerdote; e

c)    Rei.

 

Isso acontece quando Cristo cumpre as funções de Redentor adquirindo a nossa salvação através de sua morte, ressurreição e ascensão ao Céu.

 

 É importante apontar também que no tempo da encarnação, a natureza divina de Jesus Cristo, sendo imutável, não poderia e não passou por nenhuma mudança. Ele não colocou de lado nenhum dos atributos divinos quando ele tomou sobre si uma natureza humana. De fato, ele na poderia ter feito isso e ainda permanecer divino. Como Wayne Grudem afirma, “nenhum mestre reconhecido nos primeiros 1800 anos de história da igreja... [creu] que o Filho de Deus [na encarnação] abandonou alguns dos seus atributos divinos”.[4]

 

Só um homem poderia ter cumprido os requisitos exigidos pela justiça divina sofrendo a humilhação na cruz, por outro lado apenas alguém com a natureza divina poderia ter cumprido toda a Lei.

 

 

 



[1] A visão bíblica da unidade da Pessoa de Cristo é ensinada na Confissão de Westminster (8:2), que declara de Cristo que “as duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas — a divindade e a humanidade — foram inseparavelmente unidas em uma só Pessoa , sem conversão, composição ou confusão; essa Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem”.

[2] Sugerimos esse artigo aqui para melhor entendimento do assunto: http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/infra_supra_phil.htm

[3] Sugerimos fortemente a leitura desse trabalho aqui que aprofunda bastante essas questões . http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/cristologia_joao_calvino_nelson_celio.pdf

[4] Wayne Grudem, Systematic Theology: An Introduction to Biblical Doctrine (Leicester, England: InterVarsity Press; Grand Rapids: Zondervan, 1994), 550.

 

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