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Devocional: Tito 1

 

Leia Tito 1

 

A carta de Paulo a Tito tem dois grandes temas. O principal trata da apologia que ele faz e insta a Tito para fazer também da verdadeira fé, da sã doutrina. O segundo trata de desdobramentos na conduta cristão e na organização da igreja.

 

Certamente Tito era um gentio que se converteu pela instrumentalidade de Paulo e era um de seus discípulos embora pouco se mencione ele na Bíblia. Paulo confiava a Tito a consolidação da igreja na ilha de Creta.

 

Já no início da carta Paulo demonstra a preocupação em promover a fé dos eleitos para alcançarem o pleno conhecimento da verdade, sendo piedosos e confiantes na vida eternas. Algumas palavras chaves estão bem expostas nesses quatro primeiros versos:

 

a)     A fé dos eleitos;

b)    Deus que não pode mentir;[1]

c)     Prometeu antes da eternidade;

 

Demonstrando aí de forma cabal e absoluta a soberania de Deus sobre o Plano de Salvação, decretado ainda na eternidade.

 

Fala ainda que esse Plano de Salvação foi manifestado por mandato divino na pregação da obra do Nosso Senhor Salvador Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus.[2]

 

 
Na primeira parte desse capítulo Paulo mais uma vez lista qualidades e deveres daqueles que são chamados a exercer o ministério da Palavra, incluídos aqui os presbíteros[3]. Como em Timóteo não se trata de uma lista exaustiva, mas de uma lista de princípios importantes que devem ser observados.

 

a)     Irrepreensível – Não implica numa pureza absoluta e sim num comportamento íntegro e verdadeiro.

b)    Marido de uma só mulher – Já tratamos disso em outro texto também e tem tudo a ver com o contexto da época, onde muitos dos convertidos eram poligâmicos e assim permaneceram mesmo depois da conversão já que não seria piedoso despachar as outras mulheres sem sustento.

c)     Filhos crentes – Mais uma vez Paulo traz a luz uma questão muitas vezes desprezada nos meios evangélicos, se não consegue governar a própria casa como governará a igreja?

d)    Não arrogante – humilde

e)    Não irascível – Longânimo

f)      Não dado ao vinho – Sóbrio;

g)     Não violento – Pacificador;

h)    Não cobiçoso nem ganancioso – Grato;

i)      Hospitaleiro, amigo do bem – Gentil e cordato;

j)      Justo, piedoso;

k)     Apegado à palavra – Conhecedor, fiel e apto ao ensino;

 

Na segunda parte deste capítulo Paulo trata dos falsos mestres e das falsas doutrinas ensinadas. Não fica exatamente clara quais seriam esses pontos doutrinários que estavam causando problemas, porém pelo texto podemos asseverar que se tratava de alguma imposição de ritos judaicos[4] sendo colocados como essenciais a fé. Outra característica que podemos verificar é que esse mestres tentavam se impor sobre os convertidos em Creta impondo-lhes obrigações inclusive para auferir vantagens para si mesmos.[5]

 

Paulo os classifica como frívolos, pessoas que sabiam exatamente o que estavam fazendo enganando os cretenses em benefício próprio. Paulo é enfático em dizer a Tito que precisam ser calados porque estão pervertendo a fé de muitos. Muitas vezes nos tempos atuais vemos crentes sendo condescendentes com desvios doutrinários. Paulo diz para repreende-los severamente. Claro que Paulo não está tratando de um neófito que precise ser orientado discipulado, mas de uma pessoa que conhece bastante a são doutrina mas mesmo assim a despreza.

 

Como citado acima, é bem provável que esses mestres estivessem impondo obrigações como nos dias de hoje, sobre frequência mínima, ofertas (Dê seu tudo) exigidas, rituais com objetos (águas do Jordão, sal grosso) etc. Mas existem coisas mais sutis como estar em todas as reuniões que aconteçam de domingo a domingo.

 

Paulo os considera reprováveis, ainda mais por conhecerem a Palavra.

 

A defesa da verdadeira fé é algo intrínseco e natural ao verdadeiro evangelho.



[1] Números 23:19

[2] Tito 2.10; 3.4; 1º Timóteo 1.1; 2.3; 4.10

[3] Já tratamos disso em outros textos, A luz da Bíblia não conseguimos enxergar diferenças nas funções, deveres e qualificações entre pastores e presbíteros. Não existem dois ofícios, e entendemos que assim deveria ser tratado.

[4] O os da circuncisão. Refere-se a pessoas oriundas de uma estrita perspectiva

judaico-cristã Atos 15.1,5; GáIatas 6 12-13.

[5] Talvez uma referência às lendas do gênero sobre personagens do Antigo Testamento que são encontradas em muitos dos escritos apócrifos judaicos (1º Timóteo 1.4; 4.7; 2º Timóteo 4.4). Relacionados. provavelmente, àquelas interpretações peculiares da lei judaica que caracterizam os falsos mestres Tito 3.9; 1º Timóteo 1. 7; 4.3).

 


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