Pular para o conteúdo principal

Devocional: Tessalonicenses: Evangelho da fé, do amor e da esperança.



Ruínas da antiga Tessalônica com a a atual ao fundo, a segunda maior cidade da Grécia.


Leia 1ª Tessalonicenses 1

Como era de costume Paulo inicia a carta de apresentando e traz como novidade a chamada de dois outros nomes como coautores da missiva, Silvano[1] ou Silas e Timóteo. Não temos como saber o quanto, e até mesmo se, Silas e Timóteo influenciaram na escrita da carta, ou se são citados apenas por estarem juntos com Paulo fisicamente e em concordância com o que estava escrito.

Paulo escreveu 1ª Tessalonicenses, provavelmente a primeira carta escrita por Paulo entre as constantes no Novo Testamento, e a escreveu depois de uma visita de Timóteo àquela igreja que trouxe ao seu conhecimento como ela estava.[2]  

Paulo externa alegria e ao saber que a igreja se mantinha na fé[3] apesar das perseguições que sofriam.

Tessalônica era uma grande cidade da época, cerca de 200.000 habitantes, e recebeu o nome na fundação em homenagem a Tessália irmã de Alexandre, o Grande. A igreja foi fundada lá na segunda viagem de Paulo que estava exatamente acompanhado por Silas e Timóteo. E era formada basicamente por gentios convertidos. Foram poucos meses que Paulo ali permaneceu e teve que sair escondido por conta de perseguições que se levantavam por parte dos judeus residentes na cidade.

Mas vamos ao primeiro capítulo. Paulo quase sempre inicia suas cartas com uma longa saudação destacando algumas características da igreja que receberá a carta.

Aqui não é diferente, Paulo declara suas ações de graça ao Senhor em oração por algumas características da igreja de Tessalônica.

1.    Operosidade da vossa fé – Contrariando aos que procuram achar algumas tensão entre Paulo e Tiago em matéria de fé, fica claro aqui que a fé proposta por Paulo gera ação condizente e consequente a fé declarada;

2.    A abnegação do vosso amor – Uma igreja que agia em prol do próximo pelo amor. Os tessalonicenses foram mencionados como uma igreja que com frequência levantava ofertas missionárias ajudando no sustento do trabalho de Paulo por exemplo;

3.    A firmeza da vossa esperança – Apesar das perseguições constantes era uma igreja que não desanimava facilmente, pelo contrário insistia ainda mais na propagação da mensagem do Evangelho.

Sem querer aqui iniciar uma cruzada de busca aos eleitos, Paulo fala claramente que essas características citadas dão a ele a capacidade de reconhecer “... a vossa eleição ...”.[4] Consideramos mais aqui, a ideia proposta que não existe eleição sem frutos visíveis. 

O Evangelho pregado por Paulo não se montava apenas em palavras bonitas, agradáveis e que faziam bem ao ego e a id dos indivíduos, mas era algo que se manifestava de forma inconteste, revestido de uma autenticação real e viva do Espírito Santo. Os tessalonicenses enxergavam em Paulo um grande exemplo de imitador do Senhor, e este os reconhecia como imitadores dele e do Senhor.[5]

Uma característica elogiada e reconhecida por Paulo era que mesmo diante das tribulações e perseguições aquela igreja era uma igreja missionária, eles são citados como “espalhadores” do Evangelho sendo exemplos para toda a Macedônia[6] e Acaia[7].




Paulo encerra esse capítulo com um testemunho maravilhoso sobre a obra praticada pelos tessalonicenses:[8]

1.    Uma igreja missionária – Que pregou a Palavra não apenas na Macedônia, ou seja não apenas em casa, mas na Acaia e por toda a parte. Os tessalonicenses eram uma igreja que se preocupava em anunciar o Evangelho de Salvação.

2.    Uma igreja fiel a Palavra – Paulo declara que a fidelidade dos tessalonicenses ao ensino que haviam recebido era tal que não exigia nenhum comentário, nenhuma correção.

3.    Uma igreja que frutificava – Os. Ouvintes da pregação ao tomarem conhecimento do Evangelho deixavam os ídolos e se convertiam para servir a Deus.

4.    Uma igreja que tinha como marca a esperança – A confiança que Jesus ressuscitou dentre os mortos e que Ele é o estandarte que nos garante estarmos livres da ira vindoura de Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que a nossa caminhada no Evangelho, assim como era com os tessalonicenses, possa ser exemplos de fé, amor e esperança para os que conosco convivam.


[1] Da mesma forma que Paulo e Saulo são dois nomes para a mesma pessoa, Silvano é o nome grego de Silas.
[2] Cf. 3:6
[3] Sempre lembramos que Paulo quando escreve sobre fé, não trata apenas como confiança e esperança mas também firmeza e manutenção dos ensinamentos apostólicos.
[4] “A eleição divina é um tema comum às duas epístolas aos tessalonicenses (5.9; 2Ts 2 13). Paulo não tem receio de afirmar a essa congregação jovem e de predominância gentílica que eles eram eleitos de Deus. Paulo vê neles o fruto da graça eletiva de Deus, manifestada na resposta deles à pregação
do evangelho e em seu progresso inicial na santificação.”- Bíblia de Estudo de Genebra
[5] Ef. 5:1 – O imitador proposto por Paulo não era um mero autômato, mas sim alguém que dentro da sua individualidade reproduzia não essencialmente os atos, mas sim os princípios deixados por Cristo e seguidos por Paulo.
[6] A Macedônia ganha mais relevância dentro do império grego a partir do reinado de Filipe II, pai de Alexandre, e fica ao norte da Grécia atual, entre a Albânia e a Bulgária.
[7] Acaia, era uma região um pouco mais ao norte também de grande importância e que mesmo durante o império suas cidades mantiveram uma certa autonomia dentro dos regimes democráticos propostos naquela época.
[8] Cf 1:8-10

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conhecendo o Presbiterianismo I - Quem Somos e de Onde Viemos

¡   O que Somos §   A IPB é uma federação de igrejas que tem em comum: ▪       História; ▪       Forma de Governo; ▪       Teologia ▪       Padrão de Culto, Liturgia e Vida Comunitária ¡   De onde viemos §   A IPB pertence ao grupo das igrejas REFORMADAS . ▪       Fundada em 1859 a partir do trabalho missionário da PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos); ▪       A origem do Presbiterianismo remonta ao século XVI nas igrejas protestantes reformadas da Suiça, com Ulrich Zwinglio e Jean Calvin, e da Escócia com John Knox.   ¡   Porque Presbiteriana §   O nome vem a partir da forma de administração. ▪       A IPB é administrada por PRESBÍTEROS eleitos pelas comunidades locais; ▪       Sendo ...

Identidade Presbiteriana

Eis a Identidade Presbiteriana - Rev. Ageu Magalhães INTRODUÇÃO A “identidade presbiteriana” é bastante citada no contexto presbiteriano, mas é quase um jargão não muito bem definido. Por conta desta indefinição foi que resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto, algo sintético mesmo. Alisto abaixo o que é distintivo em nosso sistema e, na sequência, a explicação de cada um dos pontos: - Governo: Representativo - Ofícios: Presbíteros (docentes e regentes) e Diáconos - Regra de Fé e Prática: Bíblia - Teologia: Reformada, Aliancista - Subscrição: Confissão de Fé, Catecismos Maior e Breve de Westminster - Culto: Princípio Regulador do Culto (só o que é prescrito na Bíblia é permitido) - Dons espetaculares: Cessacionista  - Ceia: Presença Espiritual de Cristo - Batismo: Aspersionista e Pedobatista 1. GOVERNO REPRESENTATIVO As 3 principais formas de governo de igreja são: 1. Episcopal - Um governa todos. A decisão final sobre os assuntos da i...

A SOBERANIA (LIMITADA?) DE DEUS.

  Vez por outra participo de algumas conversas em grupos de WhatsApp de assuntos cristãos. Coisas que me cansam sobremaneira nesses grupos: 1. O mono tema. Parece que todo o arcabouço doutrinário gira em torno de predestinação e eleição. 2.     A imensa dificuldade das pessoas lerem o que está escrito de forma objetiva. 3.   A propensão quase total de estabelecerem por suas cabeças o que os outros pensam, definir qual argumento que querem combater, em geral é uma False Flag [1] ou como prefiro um espantalho, e passar a definir o que o outro lado pensa. Exatamente dentro desse quadro me deparei com uma pessoa que me traz afirmações peremptórias como as que passarei a analisar a seguir. “ Não fazia parte dos planos de Deus ,isso foi um investimento em cima de Jó tanto de satanás como de Deus. Isso não aconteceu por que Deus planejou, mas sim por que satanás acusava a  Jó diante de  Deus ,que Jó era fiel por que Deus...