Colossenses 1:13-23
Continuando nossa passagem
pela carta de Paulo aos colossenses vamos ver Paulo falando da pessoa de Cristo
nesse texto.
Leia essa devocional com a Bíblia
ao lado, vamos usar muitas referências em outros textos nas notas de rodapé.
Tendo em mente aquilo que
colocamos no primeiro texto que cita o objetivo da carta de Paulo para combater
uma heresia crescente em Colossos que queria acrescer experiências espirituais
ao Evangelho como forma de confirmação da fé.
O texto inicia fazendo um
paralelo com a libertação de Israel da escravidão do Egito e do cativeiro na
Babilônia. Para Paulo, e isso é visto em vários outros momentos, a humanidade
antes de Jesus e sem Ele estava e estará irremediavelmente sob o proder da
morte e das trevas.[1] E
apenas em Cristo eles podem ser resgatados e colocados sob a proteção e guarda
do Filho de Deus. Interessante a ênfase do amor[2]
envolvido nesse ato. Em vários momentos em seus outros textos Paulo faz o
contraponto da luz do bem ante as trevas do mal. A luz que ilumina a cegueira
dos mortos e os faz enxergar a Graça Divina.[3] Nele
e apenas nele nós. Temos a redenção do corpo que envolve a remissão
dos pecados.[4]
Em seguida Paulo passa a
descrever a majestade de Cristo e Sua supremacia sobre toda a criação, como
filho de Deus, com uma doxologia que nos leva a uma profunda reflexão.
Ø Primogênito na criação, – Não há em
Paulo qualquer possibilidade de enxergar a Cristo como parte da criação, o
termo "primogênito" é empregado com relação a Cristo para afirmar que
ele tem a honra e dignidade, particularmente amado por seu Pai e todas as
coisas foram criadas nele, por ele e para ele como veremos mais a frente.
Ø Criador, causador e causa de todas as coisas - Tudo foi criado por meio dele e para ele. Sendo ao
mesmo tempo agente e fim da criação, sendo Senhor de tudo que existe.[7]
Paulo afirma a precedência temporal e da significação universal de Cristo. Ele
é não criado. E sempre existiu desde a eternidade[8];
Ø Cabeça da Igreja - Ele é a cabeça do corpo, da igreja.[9] Cristo
é o alfa e o ômega, princípio e fim de todas as coisas, o primogênito de entre
os mortos. A sua ressureição marca o início da nova criação[10]
substituindo a humanidade gerada em Adão por uma humanidade gerada pelo Seu
sangue derramado.
Cristo
antecipa a glória terna e garante a ressureição e glorificação[11].
O Novo Testamente nos ensina que a ressureição de forma mística e não compreensível
para nós o eleva a uma posição ainda mais elevada porém como dissemos não nos seja
compreensível visto que Ele já era e continua sendo Deus.[12]
Jesus é
Senhor do Universo
o
Criado por Ele;
o
Sustentado por
Ele; e
o
Redimido por Ele.
E
tudo segundo a vontade e decreto de Deus.[13]
Ø Reconciliador
– A queda do homem e o consequente pecado que corrompeu toda a criação[14], gerando
o afastamento de Deus, é reconciliada através da
Ø encarnação e morte
expiatória de Cristo, a justiça de Deus é satisfeita[15],
a paz entre Deus e a humanidade é restaurada[16],
e a glorificação é assegurada[17] e
satanás e os seus anjos têm seus poderes limitados.
Paulo encerra essa parte que
estamos tratando hoje com algumas aplicações práticas das questões apresentadas.
Os que antes eram estranhos,
desconhecendo a Deus em seu entendimento, submissos as obras malignas, causadas
pela depravação total e demonstrando esse afastamento, são reconciliados através
da morte sacrificial de Cristo. A morte de Cristo não implica apenas numa pacificação
universal de poderes hostis, como muitas correntes heréticas pregam falsamente
enfatizando apenas o atributo de amor de Deus, ela traz consigo um fator exigente
de renovação e de purificação individual daqueles que apreendem o Evangelho e o
recebem[18].
Paulo reforça a necessidade
do apego a esperança, mediante a fé, que não nos deixará afastarmo-nos daquela.
A fé que salva, persevera e dá confiança e paciência nas promessas futuras.
Essa fé em Cristo ancorada na esperança é suficiente e nada mais é necessário
além de Cristo, nem experiências espirituais, nem novas revelações fora das
Escrituras, nem ritos, nem disciplinas
ascéticas.
Por fim os colossenses são
exortados a ficarem atentos para que nenhum novo ensinamento fora daquele que já
haviam recebido fosse considerado.
Que Deus continue nos abençoando.
[1] Ef
2:1-3; 6 11; Gl 1:4
[2] Mt
3 17; 17.5; Me 1.11; 9.7; Lc 3.22; Dt 18.15; SI 2.7; Is 42.1
[3] 2 Co
3.15; 4.4-6; 6.14; Ef 5.8-14; Fp 2.15; 1Ts 5 5
[4] Rm
8:23; Cl 1: 21-22; cf. 2.13, 17,20; 3.9-10
[5] Rm
9.5; Fp 2.6; Tt 2.13
[6] Calvino
observa que "devemos ter cuidado em não procurá-lo em nenhum outro lugar,
pois, exceto Cristo, seja o que for que se oferecer a nós em nome de Deus
sucederá ser um ídolo"
[7] inclusive
da hierarquia angélica que os colossenses pensam deverem aplacar ou
reverenciar.
[8] Hb
1.2-3.
[9] Ef
1.21-23 ; Ef 4 15; 5.23.
[10]
Cl. 3.1 O; 2 Co 5.17; At 2.29-36; 13.32-35
[11] Rm
8.29; 1 Co 15.20-28; Hb 1.6; 12 23
[12] At
13.33-34: Rm 1.4; Ef 1.20-23; Fp 2.1-11; Hb 1.4-5
[13]
Cl. 1:19
[14] Gn
3; Rm 5.12; 8.20; Ef 2.2; 6.12
[15] Rm
3.21-26
[16] 2
Co 5.17-21
[17] Rm
8.18-21
[18]
Cl. 2.13; Rm 5.6-11; Ef 2.4-10

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