Pular para o conteúdo principal

Devocional - I Timóteo - Oração, Ensino e Submissão.





Leia 1ª Timóteo 2:8-15

Paulo trata do culto a Deus não de forma geral, mas de alguns elementos e condições que de alguma forma estavam entrando na igreja, através de falsos mestres e causavam dissensões.

Vamos tratar os tópicos separadamente.

1.    Oração pública – verso 8

Não temos como ter convicção plena de porque Paulo se dirige apenas aos homens aqui, não pensamos que seja correto entender que ele sugira que apenas homens devem orar em público[1].  Porém pode ser que o todo lugar se refira apenas aos cultos, embora improvável. De qualquer forma Paulo não está ensinando a. igreja de uma maneira geral que a postura de oração seja necessariamente acompanhada de levantar das mãos.[2] Nos parece que a ênfase estámais no sem ira e animosidade.

2.    Comportamento feminino – versos 9 e 10

Claro que Paulo não estava se preocupando essencialmente com a aparência, mas certamente em sua mente estava a questão da motivação. Transportando para os dias de hoje certamente Paulo não estava defendendo uma vestimenta que tornasse a mulher feia, desagradável aos olhos, mas numa questão de foro íntimo, o que de fato te leva irmã a escolher suas roupas? A questão que ele apresenta não tem a ver com cabelo cacheado ou lisinho, made by chapinha, mas a se tornar vistosa ao mundo. Os ornamentos com brincos, colares e anéis existem e são usados com qual propósito?

Paulo usa termos como kosmiō (respeito), aidous (modéstia), sōphrosynēs (autocontrole) para não usar coisas caras e chamativas, certamente Paulo tinha em mente a unidade e comunhão da igreja e que a mulher fosse valorizada não por sua aparência mas pelo seu interior demonstrado pelo bom proceder que caracteriza aquelas que temem a Deus.

3.    Silêncio e submissão. Versos 11 a 14

Aqui podemos estar mexendo num vespeiro. Questões como essa costumam despertar debates apaixonados. A separação de funções e atribuições determinadas pela Bíblia não são muito bem entendidas e nem aceitas principalmente se tratadas pela óptica da defesa ou do combate da ideologia feminista.

Ele não defende uma proibição a participação  de mulheres nos cultos, mas recomenda certamente um silêncio obsequioso em respeito ao ensino com autoridade e ao governo atribuído aos líderes da igreja. O conceito de submissão não implica em inferioridade, o termo e a ideia usada aqui hypotagē  é rigorosamente o mesmo aplicado a esposas[3], a maridos e esposas[4], aos filhos[5], aos escravos[6], aos profetas[7], aos cristãos em geral[8], a igreja[9] e a Cristo[10]. Portanto não há como suavizar ou relativizar o conceito de submissão proposto por Paulo. Na essência a palavra usada nos traz a ideia de estar sob o controle, sob a condução de.

Evocando sua autoridade apostólica, talvez como uma forma de dar mais ênfase ao que diria, Paulo proíbe que mulheres exerçam autoridade e ensino sobre homens dentro da igreja. Embora não estejamos ensejando uma aula de grego, o mesmo termo usado aqui para permissão, é usado por exemplo por Pilatos ao autorizar a crucificação de Jesus[11], quando Jesus autorizou os espíritos ao saírem do gadareno entrarem numa manada de porcos[12].

A proeminência em Israel de mulheres em posição de autoridade, evocado sempre na defesa do ensino e autoridade femininas na igreja,  sempre foi fruto da fraqueza e do pecado de homens. Não há como encontrar uma outra forma de enxergar essa verdade sem rasgar as páginas bíblicas.[13] Se numa igreja não existirem homens qualificados e preparados para o ensino é porque o ministério pastoral tem. Falhado miseravelmente em uma de suas funções. Paulo remete ao ordenamento da criação e do relato da queda para embasar sua determinação[14], primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. Adão não foi iludido, mas Eva foi[15], embora isso não implique no conceito de Paulo que a culpa da queda da humanidade está sobre Adão.[16]

4.    O papel de mãe – verso 15

O preservada aqui parece ser apenas um contraponto ao enganada apresentado no verso anterior, ou seja um preservação da fé e da salvação. Sendo a maternidade encarada como uma benção divina. Porém não podemos cair na tentação de que essa alusão seja em relação a Maria e ao nascimento de Jesus. A alusão de Paulo é claramente em direção a criação após a queda acerca de seu papel de dar à luz.[17] (Gn 3.16). A  mulher que foi enganada. se permanecer na fé e  no amor, e santificação com bom senso será preservada. Dar a luz não é um ato que justifique então a salvação, o que Paulo traz a luz aqui é a defesa que o papel da mulher na criação é principalmente o papel de mãe. Paulo enaltece esse papel e a defesa do matrimônio.

Posso ter perdido notas no conceito de algumas admiradoras, mas isso é o que a Palavra ensina.



[1] 1ª Co 11:5
[2] SI 63.4; 141.2
[3] Ef 5.22; CI 3.18; Tt 2.5; ct. 1 Co 14 34
[4] Ef 5:21
[5] Cf 3:4
[6] Tt 2:9
[7] 1ª Co 14:32
[8] Rm 13.1,5; 1ª Co 16.16; Tt 3.1
[9] Ef 5:24
[10] 1ª Co 15:28
[11] Jo 19:38
[12] Mc 5:13
[13] 1ª Co 14.34
[14] Gn 2 7,21-22; 1ª Co 11.8-12.
[15] Gn 3.1-6
[16] Rm 5:12-19; 1ª Co 15:21-22
[17] Gn 3:16

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conhecendo o Presbiterianismo I - Quem Somos e de Onde Viemos

¡   O que Somos §   A IPB é uma federação de igrejas que tem em comum: ▪       História; ▪       Forma de Governo; ▪       Teologia ▪       Padrão de Culto, Liturgia e Vida Comunitária ¡   De onde viemos §   A IPB pertence ao grupo das igrejas REFORMADAS . ▪       Fundada em 1859 a partir do trabalho missionário da PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos); ▪       A origem do Presbiterianismo remonta ao século XVI nas igrejas protestantes reformadas da Suiça, com Ulrich Zwinglio e Jean Calvin, e da Escócia com John Knox.   ¡   Porque Presbiteriana §   O nome vem a partir da forma de administração. ▪       A IPB é administrada por PRESBÍTEROS eleitos pelas comunidades locais; ▪       Sendo ...

Identidade Presbiteriana

Eis a Identidade Presbiteriana - Rev. Ageu Magalhães INTRODUÇÃO A “identidade presbiteriana” é bastante citada no contexto presbiteriano, mas é quase um jargão não muito bem definido. Por conta desta indefinição foi que resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto, algo sintético mesmo. Alisto abaixo o que é distintivo em nosso sistema e, na sequência, a explicação de cada um dos pontos: - Governo: Representativo - Ofícios: Presbíteros (docentes e regentes) e Diáconos - Regra de Fé e Prática: Bíblia - Teologia: Reformada, Aliancista - Subscrição: Confissão de Fé, Catecismos Maior e Breve de Westminster - Culto: Princípio Regulador do Culto (só o que é prescrito na Bíblia é permitido) - Dons espetaculares: Cessacionista  - Ceia: Presença Espiritual de Cristo - Batismo: Aspersionista e Pedobatista 1. GOVERNO REPRESENTATIVO As 3 principais formas de governo de igreja são: 1. Episcopal - Um governa todos. A decisão final sobre os assuntos da i...

A SOBERANIA (LIMITADA?) DE DEUS.

  Vez por outra participo de algumas conversas em grupos de WhatsApp de assuntos cristãos. Coisas que me cansam sobremaneira nesses grupos: 1. O mono tema. Parece que todo o arcabouço doutrinário gira em torno de predestinação e eleição. 2.     A imensa dificuldade das pessoas lerem o que está escrito de forma objetiva. 3.   A propensão quase total de estabelecerem por suas cabeças o que os outros pensam, definir qual argumento que querem combater, em geral é uma False Flag [1] ou como prefiro um espantalho, e passar a definir o que o outro lado pensa. Exatamente dentro desse quadro me deparei com uma pessoa que me traz afirmações peremptórias como as que passarei a analisar a seguir. “ Não fazia parte dos planos de Deus ,isso foi um investimento em cima de Jó tanto de satanás como de Deus. Isso não aconteceu por que Deus planejou, mas sim por que satanás acusava a  Jó diante de  Deus ,que Jó era fiel por que Deus...