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Devocional - A sequidão do deserto causada pelo pecado.





Hoje vamos trabalhar em cima do Salmo 32. Pessoalmente gosto muito desse texto e ele fala de modo especial para mim.

Este Salmo é identificado como de autoria de Davi, em algumas bíblias ele vem identificado como um salmo didático, algo destinado a instruir. 

Não há como ter dúvida que Davi fala de uma experiência pessoal de pecado e afastamento de Deus com dor e tristeza e de reconciliação e retorno da alegria da presença do Senhor.

Não há garantia sobre a qual momento Davi se refere, embora nossa mente possa facilmente nos fazer enxergar a questão com Bate-seba, não temos como afirmar que seja esse momento, não há no salmo qualquer indicação disso, seria mera conjectura.

O Salmo 32 se divide em partes muito claras, e nos trazem lições preciosas, que vamos abordar.

Feliz é quem foi alcançado pelo perdão de Deus.

Nos dois primeiros versos o autor usa três palavras distintas para se referir ao mal que praticamos, pecado, iniquidade e dolo. Talvez tenhamos aqui apenas uma forma de ênfase na apresentação do erro, ou uma forma de Davi demonstrar facetas de nossa rebeldia contra a Lei moral do próprio Deus. Mas sem sombra de dúvida o que Davi queria enfatizar era o perdão e a justificação quem vem única e exclusivamente da parte de Deus e que ela torna o alvo, nós remidos, bem-aventurado, feliz, agraciado.

Aliás Paulo,  em sua carta aos Romanos[1], faz um paralelo com esse texto numa defesa veemente de que a obra de regeneração, justificação e salvação é fruto da vontade divina exclusivamente.

Mas o ponto principal aqui que devemos ressaltar é a declaração de bem-aventurança que decorre do perdão de Deus. E uma expressão chave é Deus não atribui iniquidade. Deus nos olha, os eleitos em Cristo Jesus, com olhos de amor eterno, puro, e nos vê, depois da morte sacrificial de Cristo, como seres santificados, purificados, já que apenas dessa forma podemos ter uma relacionamento com o próprio Pai.

Davi lembra como doí estar em pecado.

Não há como estabelecer por quanto tempo o pecado foi cometido, tampouco por quanto tempo essas consequências apresentadas duraram, nem quais foram exatamente. O texto pode ser apenas poético, mas é mais provável que alguma doença física, real ou psicossomática não sabemos, tenha afetado Davi por um tempo não muito curto.

O que é inegável aqui é que este sofrimento veio de Deus, “a Sua mão pesava sobre mim.” As dores que Davi sentia, sua tristeza, sua fraqueza comparada a um deserto sem vida, foram reconhecidas como um castigo divino, como uma disciplina, como Deus literalmente pondo o dedo na ferida a fim de mostrar a Davi que pecados não confessados trazem consequências nas nossas vidas.

Mesmo que nem sempre sejam imediatas, as consequências do pecado sempre vem, e precisamos nos apresentar diante de Deus com súplicas pedindo perdão, mesmo que as vezes mesmo perdoados ainda soframos algumas sequelas de nossos atos.

O perdão de Deus já está dado mas para termos a benção dele precisamos confessar.

Costumo usar uma frase mais ou menos assim, Jesus morreu pelos pecados que cometemos, pelos pecados que estamos cometendo e pelos pecados que ainda cometeremos. Entendo que essa afirmação está bem declarada por Paulo em Romanos 5 onde ele trata de forma profunda a justificação pela fé mediante a graça divina.

Mas o fato de estarmos já de antemão perdoados porque Deus não imputa iniquidade sobre os Seus, e não há nada que nós possamos fazer que nos afaste do amor de Deus, para que sintamos de fato em nossas vidas esse prazer do perdão, a leveza de estarmos em harmonia com o Pai, precisamos confessar, precisamos apresentar diante dEle, não por necessidade dEle mesmo, mas por necessidade nossa, os nossos erros, confessá-los conscientemente, entendermo-nos como carentes de perdão para que possamos sentir a paz de quem foi perdoado. A rebeldia, ou a falta de reconhecimento de que erramos nos impede de entender e absorver o perdão mesmo que esse já tenha sido dado.

Enquanto calamos dentro de nós o remorso de nosso pecado nunca poderemos desfrutar da benção pacificadora do perdão de Deus.

A confissão nos faz entender e vivenciar a libertação que nos foi dada por Cristo Jesus.

Todo eleito de Deus encontrará em Seu momento propício a confissão e o perdão.

Mais uma vez as Escrituras usam as muitas águas cobrindo os homens como uma maldição profunda. Até como uma experiência de morte para demonstrar o cuidado e guarda de Deus para com os Seus. Indicando que no momento determinado por Deus cada um dos Seus santos irá buscar ao Pai e assim ser livre das muitas águas e o cobririam se não fosse esse cuidado. Não vamos nos aprofundar nesse tema que daria várias laudas de conversa, mas tragamos a lembrança o que aconteceu com um dos ladrões crucificados junto com Jesus.

No verso 7 temos algumas declarações maravilhosas da parte do Salmista em relação ao Pai:

·      Tu és o meu esconderijo;
·      Tu me preservas da tribulação;
·      Tu me cercas de alegres cantos de livramento.

Deus é quem nos instrui sobre o bom caminho e não devemos nos opor a isso.

Depois de relatar Sua dor e de como resgatou a alegria da presença de Deus[2], Davi fala-nos que o próprio Deus é quem nos instrui, ensina e aconselha. Até o verso 7 temos o salmista falando de sua própria experiência. Nos versos finais fica claro que a pessoa que vocaliza as palavras é o próprio Senhor.

A frase sob minhas vistas nos remete a um cuidado excepcional da parte de Deus, não um Deus ausente que largou sua criação para se virar por si mesma, mas sim um criador, um Deus presenta em cada segundo, nos olhando, nos guiando, instruindo e ensinando como devemos. Alias num trecho de uma cântico de ações de graças de Davi registrado em II Samuel 22 temos um reconhecimento maravilhoso de que toda a nossa instrução e habilidades vem de Deus:

“Pois "quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus?
Deus é a minha fortaleza e a minha força e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.
Ele deu a meus pés a ligeireza das corças e me firmou nas minhas alturas.
Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze.
Também me deste o escudo do teu salvamento, e a tua clemência me engrandeceu.
Alongaste sob meus passos o caminho, e os meus pés não vacilaram.” II Samuel 22:32-37

A rebeldia não deve fazer parte na vida dos santos, eles não podem ter que ser guiados a força como cavalos onde se precisa colocar cabrestos, os justos obedecem não pela força, mas pelo amor.

O fim dos ímpios é o sofrimento, a alegria dos santos é incomparável.

Os dois últimos versos desse Salmo traz claramente o destino final de cada um desses grupos, ímpios e justos. Enquanto para os ímpios é proferida a maldição de muito sofrimento para os justos é proferida a benção da misericórdia.

O Salmo se encerra com uma instrução: “Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.”

Então pois sigamos a orientação que o apóstolo João nos traz, não pecar, mas se pecarmos, confessemos confiantemente em nosso advogado junto ao Pai.[3]

Nosso coração é reto pois foi retificado pelo próprio Deus e nada mudará isso porque Deus não muda. Mas a alegria da salvação vem com a nossa comunhão com Ele e que não deve ser ofuscada por nosso pecado.





[1] Romanos 4:6-8: “6 E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará
pecado.”
[2] É importante entender que Deus nunca se ausentou, não se ausenta, nem se ausentarám daqueles que decidiu amar, conhecer, eleger, chamar, justificar e salvar, mas estes podem se sentirem distantes por seus próprios pecados mesmo Deus estando ali perto deles pronto para perdoar e voltar a abraçar Seus filhos.
[3] 1ª João 2:1

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