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Devocional Efésios 6 - A armadura do cristão.



Vamos trabalhar hoje na carta de Paulo aos Efésios, já perto de seu final, do capítulo 6 ao 20. Um texto bastante conhecido e já trabalhado mas que sempre pode nos trazer mais algum aprendizado e conforto.


"Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo."
Efésios 6:10-20




A carta aos Efésios tem como característica principal o trato do ministério da Igreja de Cristo. Paulo se dedica nela a ensinar, a orientar os cristãos no início de sua caminhada na fé sobre vários aspectos de como se portarem em suas vidas. Princípios essências a caminhada exitosa no Evangelho.

Nesse trecho da carta, Paulo muda da exposição dos princípios cristãos nas relações humanas, sobretudo familiares, quem começara no capítulo 5 como consequência da presença do Espírito Santo e passa a tratar de princípios que devem ser adotados na batalha contra as forças do mal.

Alguns assuntos e termos são tão contaminados com crendices e lendas evangelicais que temos certo pudor de usá-los da forma correta como deveríamos por receio de sermos mal interpretados, mas Paulo trata de fato de batalha espiritual, mas nada daquelas baboseiras tão difundidas pelo neopentecostalismo, muito baseado num livro de ficção[1] conforme admitido pelo próprio autor do livro, mas tomado como um livro de teologia por muitos, no final do século passado mas que ainda reverberam por aqui.

Mas voltando a figura usada por Paulo, ele toma a figura de um guerreiro se aprontando para uma guerra, e deixa logo claro que a nossa guerra não é contra os homens, e sim uma guerra espiritual contra o mal presente nesse mundo que está sob ataque do diabo e de seus anjos.

É importante notar que esse combate será travado espiritualmente para conseguirmos cumprir os princípios propostos por Paulo nos capítulos anteriores, não se trata aqui de um outro assunto totalmente estanque e separado do restante da carta. O que Paulo nos diz é que o que nos pode impedir de sermos cristãos como deveríamos são as ciladas malignas, e é importante ressaltar que não estamos num cabo de guerra entre Deus e satanás, na verdade temos todos os elementos para vencer essa guerra dados pelo próprio Deus e precisamos apenas usá-los.

E quais são esses elementos? Paulo nos orienta a:

·      Não usarmos nem confiarmos em nossas próprias forças e sim na força do Senhor e do Seu Espírito;

·      Revestir-nos do Espírito Santo, usando uma armadura inexpugnável diante do mal;[2]

·      Vestirmos a armadura de Deus;[3]

·      Cingirmo-nos com a verdade. O cinto do uniforme não apenas sustentava os demais itens como protegia o abdômen dos soldados;

·      Usarmos a couraça da justiça. O cristão é protegido pela justificação no sangue de Cristo Jesus contra qualquer investida acusatória do diabo;

·      Calçarmos as sandálias do Evangelho. As sandálias dos soldados romanos era construída para dar-lhes firmeza e estabilidade na batalha, não deixando que seus pés escorregassem fazendo-o pisar em falso e eventualmente cair;

·      Empunharmos o escudo da fé. O exército romano usava um escudo que cobria todo o corpo do soldado e ainda tinha a característica de apagar flechas incendiárias quando atingido. Aqui a analogia é de que a fé em Deus é suficiente para enfrentar todos os ataques e percalços de nossas vidas que pudessem nos atingir;

·      Vestirmos o capacete da salvação. A salvação para o cristão não é apenas uma expectativa futura, mas uma realidade presente de libertação da mente e do corpo do pecado;

·      Empunharmos a espada do Espírito. Clara alusão a Bíblia e seus ensinamentos.

Paulo conclui esse trecho da carta com uma chave mestra para que tudo o mais funcione:

·      Vigiar;
·      Perseverar;
·      Suplicar por si mesmo e por todos os santos para resistirem nessa batalha.

O uso da oração como forma de buscar na proteção de Deus para com intrepidez e coragem anunciarmos o Evangelho de Cristo.

A verdadeira batalha espiritual não se trata de expulsar demônios de territórios, com bordões e mandingas, a serem conquistados, mas de envergonha-los pelo viver e proclamar o verdadeiro Evangelho para glória de Deus Pai.



[1] Este Mundo Tenebroso de Frank Peretti publicado em1986.
[2] Possivelmente Paulo faça uma analogia ao dizer que a batalha não é contra carne e sangue tratando da inimizade entre Judeus e Gentios ainda presente de certa forma entre os cristãos das duas origens. Mas é fato que Paulo defendia a união espiritual e física entre os dois grupos debaixo do amor de Cristo e que ele entendia como sujeitas ao senhorio e poder de Jesus.
[3] Paulo faz uma analogia com a armadura de um soldado romano, o exército romano certamente era uma das forças mais temíveis naquela época.

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