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Devocional - Acolhimento com amor e empatia


Romanos 15:1-13




Há quem defenda que os últimos 5 capítulos de Romanos não fizeram parte da carta original de Paulo muito porque há uma forte virada nos temas e na forma de abordagem. De fato até o capítulo 11, ele faz uma apresentação quase didática da essência do evangelho e de suas aplicações na nossa compreensão. A partir do verso 12 Paulo traz uma forma mais voltada a aplicação na prática diária do evangelho na vida do cristão.

Mas isso não importa muito para nós, embora em defesa de uma carta única possamos verificar que é bem comum em suas cartas Paulo inserir temas doutrinários fazendo uma apologética para em seguida fazer uma conexão de consequência daquilo na vida do dia a dia do cristão.

Sendo de uma forma ou de outra o que queremos destacar é que Paulo inicia esse capítulo 15 tratando Evangelho, representado em empatia e amor ao próximo. Logo de cara ele trata do cuidado que devemos ter com os irmãos em Cristo. Paulo se apresenta, e certamente com propriedade, como um dos grupos dos fortes na fé[1], e como deve ser sua relação ao grupo daqueles fracos, com pouco conhecimento e firmeza ainda, e cheios de dúvidas. Os três primeiros versos desse capítulo nos trazem a seguintes ideias:

·      Suportar as fraquezas dos outros;
·      Não buscar a satisfação pessoal. Ou seja, sem orgulho;
·      Buscar a edificação do outro.

E dá como exemplo o próprio Cristo no verso 3: “...porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim.”[2]

Paulo em seguida trata da tolerância, e aqui não estamos falando em minimizar ou relativizar pecados, nem tampouco tolerar a inserção de falsas doutrinas, mas de cuidar com amor e zelo do ensino dos novos na fé, daqueles que ainda apresentam pouco conhecimento e talvez até ainda tropecem em alguns momentos por falta de conhecimento e experiência na nova vida.

O autor da carta aos Romanos deixa claro que as Escrituras existem exatamente para instrução e conhecimento do povo de Deus e que são divinamente inspiradas.[3] E que elas existem para nos trazer esperança, essa que de forma prática está entrelaçda com a paciência e com a confiança.[4]

O verso 5 nos traz uma oração de Paulo pedindo a Deus que promova entre os membros da igreja em Roma esse sentimento de amor mútuo.  É fácil pensarmos aqui que provavelmente havia alguma dissensão entre os membros daquela igreja[5], onde membros mais experientes talvez não estivessem tendo um cuidado no trato com os mais novos, mais fracos ainda no conhecimento do Evangelho. Paulo apela. Pela unidade para que “... a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Ao falar de acolhimento Paulo usa exatamente o exemplo do Mestre demonstrando claramente que:

·      Devemos acolher uns aos outros como Cristo nos acolheu.
·      Isso glorifica a Deus.
·      Cristo é o ministro da circuncisão e confirmação das promessas para Israel;
·      E libertador dos gentios para união dos seus por conta de Sua misericórdia.

Chamando de meu povo aquele que antes não era.[6]

E aqui de forma muito prática cabe uma pergunta a nós que temos muito tempo de evangelho. Como está nosso acolhimento e empatia com os mais novos na fé? Agimos conforme a Palavra nos ensina? Ensinamos, sim temos que ensinar, com amor e carinho ou com arrogância e exigências de formalidade?

Paulo encerra essa parte do texto com uma poesia que junta diversos outros textos bíblicos.

“Por isso, eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome. E também diz: 0 Alegrai-vos, ó gentios, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, e todos os povos o louvem.
... Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar os gentios; nele os gentios esperarão.
E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.”

Deixando muito claro a inclusão dos gentios na contagem do povo de Deus. Demonstrando aos judeus convertidos que os novos irmãos devem ser tratados igualmente como filhos de Deus, e também trazendo para nós uma lição preciosa de acolhimento com cuidado e carinho para com aqueles que durante nossa caminhada vão se ajuntando, de acordo com o momento decretado por Deus, tudo para Glória de Deus, enriquecidos na esperança pelo poder do Espírito Santo de Deus.


[1] Entendemos fé aqui não como algo sobrenatural, embora exista esse aspecto na fé,  mas como conhecimento e firmeza nos princípios ensinados, lembrando sempre que esse conhecimento e firmeza devem acarretar em vida segundo eles.
[2] Salmo 69:9: O Messias negando a si mesmo em favor dos seus.
[3] “É ensino básico do Novo Testamento que as Escrituras do Antigo Testamento foram escritas, pela inspiração divina, para benefício dos crentes (1 Co 10.11; 2Tm 3.15-17; 1 Pe 1.10-12).” – Bíblia de Estudo de Genebra.
[4] Romanos 5:3-5
[5] Muito provavelmente essa disputa existisse entre Judeus convertidos e gentios convertidos, com o primeiro grupo naturalmente tendo um conhecimento bem maior das Escrituras.
[6] “Eu os semearei na terra para minha própria pessoa e terei misericórdia de quem denominei Lo-Ruama, Não-Amada. E afirmarei àquele chamado Não-Meu-Povo; Sim, tu és meu povo! E ele responderá: ‘Sim Elohim, tu és o meu Deus!’” Oséias 2:23

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