Pular para o conteúdo principal

Felicidade. Momentos ou uma decisão.





Assisti por esses dias, meio por acaso, um vídeo do Mário Sergio Cortella, nome bem conhecido no meio dos palestrantes motivacionais hoje em dia.

Normalmente não curto as palestras desse pessoal, não curto coaching, autoajuda, palestras motivacionais. Tenho meus motivos mas que não vou tratar aqui porquê não é meu objetivo nesse post tratar o desnecessário que acho dessas coisas.

Voltando ao vídeo, é um pedaço de uma entrevista que ele deu, onde ele trata de FELICIDADE. Quem quiser assistir ao vídeo pode clicar abaixo.


  
Será que nós cristãos devemos ou podemos ter esse mesmo tipo de visão sobre felicidade? Ou a visão que Cortella apresenta é uma visão considerando apenas o pensar e viver humano totalmente descasado de Deus?

Ele faz quatro afirmações nesse vídeo que vamos comentar.

1)    A felicidade é algo instantâneo - Segundo ele “Felicidade não é um estado contínuo e sim uma ocorrência eventual, episódica”.

2)    A felicidade é condicionada por resultados e eventos. - Segundo ele “Felicidade depende de resultados obtidos ou por coisas que aconteceram ou não”.

3)    A felicidade é efêmera. - Segundo ele “Felicidade é efêmera, impossível ser constante porque para sentir felicidade é preciso conviver com a infelicidade”.

4)    É impossível ser feliz sozinho. - Segundo ele “É impossível ser feliz sozinho”.


Uma das cartas de Paulo, a endereçada a igreja de Filipos, trata muito exatamente do assunto FELICIDADE.

É interessante notar que a carta aos Filipenses é aquela na qual Paulo mais fala de felicidade, e ao mesmo tempo, mais fala de seus sofrimentos, e dos sofrimentos pelos quais a verdadeira igreja de Cristo passa e passará.

 Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo” Filipenses 2:17-18

No capítulo 8 de Romanos Paulo nos diz: “Estou absolutamente convencido de que os nossos sofrimentos do presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.”

Muito claramente nossa felicidade não é condicionada a nada que ocorra, tampouco sofre influência da conjuntura social, de saúde, ou de qualquer outra situação em nossas vidas terrenas.

Esse argumento de Paulo é reforçado em 2º Coríntios 5:6-8: “Portanto, andamos sempre confiantes, cientes de que enquanto presentes nesse corpo, estamos distantes do Senhor. Pois vivemos por fé e não pelo que nos é possível ver. Sendo assim, caminhamos em confiança, e preferimos estar ausentes desse corpo para estarmos completamente presentes com o Senhor.

Nada daquilo que vemos pode afetar nossa confiança na vida por fé mirando a vida futura. Consideremos que o amor de Deus nos é a causa suficiente de nossa esperança e fidelidade e que nada, nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas dessa vida, nem no momento, nem no porvir podem nos separar desse amor de Deus conforme Romanos 8.

Portanto não podemos pensar da forma de que nossa felicidade é condicionada a condições de nossa vida e é feita de pequenos momentos.

Jesus durante o seu ministério preparando seus discípulos nos diz que a alegria dele permanecerá em nós e que a nossa felicidade será completa, conforme João 15:11. Quando nos encontramos com Deus encontramos verdadeira alegria nas coisas boas que temos em nossas vidas. Podemos desfrutar das coisas passageiras porque sabemos que vêm de nosso Pai, que é eterno e tem sempre mais alegria para nos dar. Não precisamos mais ter medo que a alegria vai se esgotar. Mesmo na tristeza, Deus nos dá alegria. Essa alegria é mais profunda e nem sempre se expressa com um rosto alegre ou um grande sorriso. A alegria na dificuldade se chama esperança. Deus promete que a tristeza não dura para sempre. Sua alegria vencerá toda a dor. A tristeza é passageira mas a alegria de Deus dura por toda a eternidade. No sofrimento, a alegria do Senhor é a nossa força.

Por fim ele usa uma expressão que consta de uma bonita e famosa música de Tom Jobim, Wave, “... é impossível ser feliz sozinho.” O contexto da música de Jobim é de uma declaração de amor, fala de saudade da pessoa amada. Tendo a concordar com a ideia de que ninguém é feliz sozinho, mas no sentido inverso, a nossa felicidade vinda de Deus tem que ser contagiante em essência. O Salmo 126 fala do sofrimento da semeadura resultando sempre na alegria da sega. Em Isaías a Bíblia nos diz que os que confiam no Senhor virão a Sião cantando de alegria e júbilo.

Não consideramos que em nossa jornada não encontramos momentos complicados, de dor e que nos fazem chorar, mas temos que ter a compreensão que nossa felicidade não é como o mundo quer fazer parecer um somatório de momentos alegres, a felicidade do Cristão é algo muito maior, superior a materialidade dessa vida, transcendente, e eterna, um jeito de viver.

Voltando a carta aos Filipenses, Paulo nos dá as chaves para essa forma de viver.

"Regozijai-vos sempre no Senhor, outra vez digo, regozijai-vos." Filipenses 4:4
"Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças;" Filipenses 4:6
"e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” Filipenses 4:13
"Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.
Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade." Filipenses 4:11-12






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Conhecendo o Presbiterianismo I - Quem Somos e de Onde Viemos

¡   O que Somos §   A IPB é uma federação de igrejas que tem em comum: ▪       História; ▪       Forma de Governo; ▪       Teologia ▪       Padrão de Culto, Liturgia e Vida Comunitária ¡   De onde viemos §   A IPB pertence ao grupo das igrejas REFORMADAS . ▪       Fundada em 1859 a partir do trabalho missionário da PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos); ▪       A origem do Presbiterianismo remonta ao século XVI nas igrejas protestantes reformadas da Suiça, com Ulrich Zwinglio e Jean Calvin, e da Escócia com John Knox.   ¡   Porque Presbiteriana §   O nome vem a partir da forma de administração. ▪       A IPB é administrada por PRESBÍTEROS eleitos pelas comunidades locais; ▪       Sendo ...

Identidade Presbiteriana

Eis a Identidade Presbiteriana - Rev. Ageu Magalhães INTRODUÇÃO A “identidade presbiteriana” é bastante citada no contexto presbiteriano, mas é quase um jargão não muito bem definido. Por conta desta indefinição foi que resolvi escrever algumas linhas sobre o assunto, algo sintético mesmo. Alisto abaixo o que é distintivo em nosso sistema e, na sequência, a explicação de cada um dos pontos: - Governo: Representativo - Ofícios: Presbíteros (docentes e regentes) e Diáconos - Regra de Fé e Prática: Bíblia - Teologia: Reformada, Aliancista - Subscrição: Confissão de Fé, Catecismos Maior e Breve de Westminster - Culto: Princípio Regulador do Culto (só o que é prescrito na Bíblia é permitido) - Dons espetaculares: Cessacionista  - Ceia: Presença Espiritual de Cristo - Batismo: Aspersionista e Pedobatista 1. GOVERNO REPRESENTATIVO As 3 principais formas de governo de igreja são: 1. Episcopal - Um governa todos. A decisão final sobre os assuntos da i...

A SOBERANIA (LIMITADA?) DE DEUS.

  Vez por outra participo de algumas conversas em grupos de WhatsApp de assuntos cristãos. Coisas que me cansam sobremaneira nesses grupos: 1. O mono tema. Parece que todo o arcabouço doutrinário gira em torno de predestinação e eleição. 2.     A imensa dificuldade das pessoas lerem o que está escrito de forma objetiva. 3.   A propensão quase total de estabelecerem por suas cabeças o que os outros pensam, definir qual argumento que querem combater, em geral é uma False Flag [1] ou como prefiro um espantalho, e passar a definir o que o outro lado pensa. Exatamente dentro desse quadro me deparei com uma pessoa que me traz afirmações peremptórias como as que passarei a analisar a seguir. “ Não fazia parte dos planos de Deus ,isso foi um investimento em cima de Jó tanto de satanás como de Deus. Isso não aconteceu por que Deus planejou, mas sim por que satanás acusava a  Jó diante de  Deus ,que Jó era fiel por que Deus...