Mensagem pregada em Agosto de 2013 após o caso da Família Pesseghini. Se quiser rever o assunto tem um vídeo aqui.
Leia Romanos 3:9-24
“Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, nós sabemos que tudo o
que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja
fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne
será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o
conhecimento do pecado. Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus,
tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em
Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo
justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo
Jesus.“
Há pouco mais de uma semana
atrás repercutiu na mídia um crime daqueles para os quais inevitavelmente temos
nossa atenção chamada e nossa emoção aflorada.
Estamos falando do
assassinato do casal de PMs e a mãe, a tia de um deles, e o suposto suicídio do
filho, um menor de 13 anos.
Nossa primeira e natural
reação é quase sempre de incredulidade com relação a hipótese de um filho matar
seus pais, sua avó e uma tia-avó de forma planejada e depois ir a escola no dia
seguinte, e no retorno cometer suicídio.
Essa nossa incredulidade vem
em decorrência de duas ideias que teimamos em manter a despeito do que a Bíblia
nos ensina:
- A ilusória esperança de que haja algum resquício de bondade no ser humano; Lutamos fortemente, indo em sentido contrário aos fatos, acreditamos que o homem é capaz de agir benevolentemente por si mesmo.
- A ilusão de que crianças são inocentes ao nascer, mantendo um aura de bondade natural, imaginando que só a partir de uma certa idade é que o pecado nos domina.
Ambas as ideias caminham em
sentido contrário ao ensinamento bíblico.
Vamos trabalhar um pouco
sobre o tema:
UMA PERSPECTIVA DIVINA SOBRE A HUMANIDADE
Vejamos três realidades sobre
como Deus nos enxerga:
1. Somos
pecadores e assim não podemos esperar nada de Deus senão sua ira.
O texto lido relaciona as “qualidades”
do ser humano.
a. Inúteis – v12
b. Enganosos e venenosos – v13
c. Cheios de maldição e amargos – v14
d. Derramadores de sangue – v15
e. Destruidores e causadores de miséria – v16
f.
Belicosos – v17
Um dos chamados cinco pontos
do Calvinismo trata exatamente desta questão. A TOTAL DEPRAVAÇÃO DA HUMANIDADE.
O Rev. Ronald Hanko escreve:
Quando falamos que o homem é
totalmente depravado queremos dizer que:
I.
Todos os homens,
exceção feita a Jesus, são ímpios e depravados.
“O Senhor
olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que
tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se
fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um.” Salmo 14:2,3
II. O homem é
totalmente depravado. Não apenas seus atos, mas todo seu ser inclusive seus
pensamentos, suas vontades, coração e emoções.
“E viu o
Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a
imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” Genesis 6:5
“Entre os
quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a
vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como
os outros também.“ Efésios 2:3
“Enganoso é o
coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? “ Jeremias
17:9
1.
Somos depravados em cada parte de nosso ser de forma
completa. Não há nenhum bem em nenhuma parte de nós.
O Salmo 14, o único que é repetido,
igual ao 53, diz nos versos 2 e 3:
“O Senhor olhou desde os céus
para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e
buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há
quem faça o bem, não há sequer um.“
2. Somos
sempre pecadores desde a nossa concepção.
A ideia que nascemos puros e
vamos nos tornando impuros a medida que pecamos é contrária ao ensinamento
bíblico.
No Salmo 51 verso 5, Davi
declara de forma clara: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me
concebeu minha mãe.”
O verso 19 do texto de
Romanos lido diz que todo mundo é culpável diante de Deus.
Pecado original, significando
o pecado derivado de nossa origem, não é uma expressão bíblica (foi Agostinho
quem a cunhou), mas é uma expressão que traz a uma proveitosa focalização a
realidade do pecado em nosso sistema espiritual.
A asserção de pecado não
significa que o pecado pertence à natureza humana como Deus a fez ("Deus
fez o homem reto", Ec 7.29), nem que o pecado está envolvido no processo
de reprodução e nascimento (a impureza ligada à menstruação, esperma e parto,
em Levítico 12 e 15 era somente típico e cerimonial, não moral e real), mas sim
que;
a. A pecabilidade marca todos
desde o nascimento, e está lá na forma de um coração motivacionalmente torcido,
anterior a quaisquer pecados reais;
b. Esta pecabilidade interior
é a raiz e fonte de todos os pecados reais;
c. Ela nos vem por derivação
de uma forma real, embora misteriosa, desde Adão, nosso primeiro representante
diante de Deus.
A afirmação do pecado
original indica intrinsicamente que não somos pecadores porque pecamos, mas sim
que pecamos porque somos pecadores, nascidos com a natureza escravizada
ao pecado.
Mas se nosso sermão
terminasse aqui, iríamos todos para casa entristecidos e sem qualquer
expectativa, mas literalmente GRAÇAS A DEUS, temos uma terceira forma
de enxergar o homem a partir da perspectiva de Deus que faz toda a diferença
para aqueles que são alcançados por ela.
3. Somos puros
aos seus olhos, mediante a justificação em Cristo, e assim reconciliados com o
Pai.
Do verso 21 em diante do
texto de Romanos vem-nos música aos ouvidos. Alguns fatos claros nos são
apresentados:
a. Todos pecaram
e estão afastados de Deus – v23
b. A justiça de Deus se manifesta pela fé – v21 e 22
c. A justiça alcança a todos que creem – v22;
d. A justiça é feita gratuitamente – v24;
e. A justiça está apenas no Sangue de Cristo – v24.
Por nós mesmos estaríamos
fadados a nos submetermos ao mal completamente, sem escapatória, sem exceções.
Entregues a nossa natureza
nada de bom, nem qualquer possibilidade de aproximar-nos de Deus existiria.
Mas a graça de Deus nos
surpreende de tal forma nos transformando a natureza que podemos voltar a estar
perto do Pai.
Conclusão
Não sabemos ainda com absoluta
certeza o que aconteceu naquela casa. Pode ter sido ou não um ato tresloucado
do adolescente.
Mas de uma coisa podemos
estar certos, ao olharmos a Palavra de Deus. Por nossa natureza, somos fadados
a brindar o mal, e somente a graça de Deus sustem ainda de pé sua criação, mas
a única possibilidade que temos que reverter esse quadro de maldade intrínseca
é nos entregarmos de forma cabal a aspersão do sangue justificador de Jesus
Cristo e assim sermos purificados. Não por nossa própria iniciativa ou mérito,
mas apenas pela graça revelada e doada por Deus àqueles que creem em seu filho
e em seu sacrifício.
Pense nisso e, se ainda não
tomou essa decisão, não espere, entregue-se a Cristo e ao seu poder, receba a
salvação e a justificação que só está em Cristo Jesus.

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