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O Estranho e Maravilhoso Amor de Deus João 11:1-14




Escrevi esse sermão em 2010 naquele momento das fortes enchentes que atingiram a zona da mata dos estados de Pernambuco e Alagoas principalmente. Matando muitas pessoas e deixando milhares de desabrigados.

Somos constantemente bombardeados pela suposição de que Deus nos ama tanto que fará tudo para nos agradar, gostamos da idéia de estarmos no centro de tudo.

Mas existe uma questão que para nós talvez seja difícil de entender que é o fato  de que o centro de tudo é o próprio Deus. Deus tem a si mesmo no centro de tudo e como isso se relaciona com o Seu amor por pecadores como nós.

A maioria das pessoas não vê de imediato a paixão de Deus pela Sua glória como um ato de amor.

A principal razão para isso é que nós absorvemos a definição que o mundo possui de amor. Ela diz: você é amado quando fazem com que você seja destacado. Em outras palavras, amar alguém significa torná-lo ou torná-la importante.

O maior problema com esta definição de amor é que quando você tenta aplicá-la ao amor de Deus por nós, ela distorce a realidade.

Segundo o Pastor John Piper : O amor de Deus por nós NÃO se concentra em fazer-nos importantes, mas em dar-nos a habilidade de torná-lo importante por toda a eternidade.

Em outras palavras, o amor de Deus por nós faz com que Ele esteja sempre no centro de tudo. O amor de Deus por nós exalta o Seu valor e a nossa satisfação nele.

Se o amor de Deus nos tornasse o centro de tudo e focados em nosso próprio valor, ele nos distrairia do que é mais precioso, que é Ele mesmo. O amor trabalha duro e sofre para nos cativar com o que é infinitamente e eternamente gratificante: Deus. Portanto, Deus trabalha duro e sofre para quebrar nossa sujeição à idolatria do ego e focalizar nossas afeições no tesouro que é Deus.

COISAS SURPREENDENTES NA MANIFESTAÇÃO DO AMOR DIVINO.

Vejamos a história da doença e morte de Lázaro.

Ora, um homem chamado Lázaro estava doente. Ele era de Betânia, do povoado de Maria e de sua irmã Marta. Maria, cujo irmão Lázaro estava doente, era a mesma que derramara perfume sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com os cabelos. Então as irmãs mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está doente”. Ao ouvir isto, Jesus disse: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”. Jesus amava a Marta, à irmã dela e a Lázaro. No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou onde estava mais dois dias.

Notemos três coisas surpreendentes na ação do amor de Deus:

1) Jesus escolheu deixar Lázaro morrer. Versículo 6: “No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou onde estava mais dois dias.” Não havia pressa. Sua intenção não era poupar a família da dor, mas ressuscitar Lázaro dos mortos.

Pode nos parecer estranha essa ação de Jesus, Ele não teve pressa, não se preocupou em correr para ajudar a Lázaro, nem Marta, nem Maria, Ele não se colocou de imediato para resolver seus problemas e nem para evitar seu sofrimento.

Ele nem mesmo o curou a distância como fez em outra ocasião, Ele tinha seu plano de trabalho e ia segui-lo conforme Ele mesmo havia decidido.

Aprendemos aqui que Deus é bem maior do que as demandas humanas.

2) Sua motivação era a paixão pela glória de Deus manifestada em Seu glorioso poder. Versículo 4: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”.

Alguém pode neste momento pensar, Jesus já sabia o que ia acontecer e por isso não se moveu rapidamente, na verdade tudo, inclusive a morte de Lázaro estava nos planos divinos para a manifestação de sua própria glória.

Aprendemos aqui que a vontade de Deus sempre se sobrepõe as demandas humanas.

3) Todavia, tanto a decisão de deixar Lázaro morrer quanto a motivação de magnificar a Deus eram expressões de amor por Maria, Marta e Lázaro. Versículo 5: “Jesus amava a Marta, à irmã dela e a Lázaro... por isso Ele ficou... onde Ele estava.”

Certamente muitos aqui já estariam murmurando contra a insensibilidade de Jesus. Ele ter deixado Lárazo morrer e fazer com que ele, Marta, Maria e outros passassem pelo sofrimento e pela agonia daqueles dias. E ainda mais quando afirmamos que isso ocorreu pelo desejo de Jesus de magnificar a glória de Deus, muitos diriam que isto foi rude ou insensível.

O que isto mostra é que colocamos a nossa própria vida, a nossa própria felicidade acima da glória de Deus. Para a maioria das pessoas o amor é algo que coloca o valor humano e o bem-estar humano no centro de tudo. Por isso, o comportamento de Jesus é incompreensível.

Aqui aprendemos que Deus se revela e age para sua própria glória.

CONCLUSÃO

Mas nós não devemos dizer a Jesus o que é o amor. Não vamos instruí-lo como Ele deveria amar-nos e nos fazer o centro de tudo. Vamos aprender com Jesus o que é o amor e o que realmente é o nosso bem-estar.

Amar é fazer o que for necessário para ajudar as pessoas verem e provarem a glória de Deus para todo o sempre. O amor mantém Deus no centro de tudo. É assim porque a alma foi feita por Deus.

Jesus mostra que este caminho é correto pela Sua oração em João 17:24: "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo". O amor de Jesus o leva a orar por nós e a morrer por nós, NÃO para que o nosso valor seja o centro de tudo, mas para que Sua glória seja o centro de tudo, e para que nós vejamos e provemos isso por toda a eternidade. “E vejam a minha glória” - para isso Ele deixou Lázaro morrer, e para isso ele foi para a cruz.


Por fim aprendemos que o surpreendente amor de Deus para conosco, consiste em nos fazer enxergar o quão importante e essencial é amá-lo mais do que a nós mesmos, colocando-o no centro de tudo, no centro de nossas vidas.

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