Afinal, tudo está relacionada à “imagem” do
ministro, do artista, da “unção ou carisma” que parece ter, do sucesso que ele
tem, do recorde de vendagem de seus produtos, etc. Pouca relação com a
integridade pessoal de uma vida reta, séria e coerente diante do Pai. Ouvi de
uma diretora de gravadora que o que importa é a imagem, o que se vende através
de uma boa mídia, já que o povo evangélico tá nem aí para o resto. Não importa
a vida dos ministros ou artistas!
Nelson Bomilcar
Não é possível ignorar os processos de mudanças no louvor e
adoração nos cultos públicos da igreja brasileira nestes últimos anos. Muitos
pontos positivos como maior participação congregacional, maior devoção,
centralidade de Jesus, maior interesse em se estudar sobre o assunto, proliferação
de encontros e congressos sobre o tema, contrastam com os modismos e modelos
que aportam em nosso país levando os irmãos à uma adoração alienada da
realidade da vida, da mente, da razão, com forte apelo emocional, e muito
antropocêntrica.
Afinal, tudo está relacionada à “imagem” do ministro, do
artista, da “unção ou carisma” que parece ter, do sucesso que ele tem, do
recorde de vendagem de seus produtos, etc. Pouca relação com a integridade
pessoal de uma vida reta, séria e coerente diante do Pai. Ouvi de uma diretora
de gravadora que o que importa é a imagem, o que se vende através de uma boa
mídia, já que o povo evangélico tá nem aí para o resto. Não importa a vida dos
ministros ou artistas!
Surpreende-me ver líderes na igreja, tanto pastores como
ministros de louvor, abraçarem estes modelos que chegam em nosso país, como
sendo “inspirados” e “vindo diretamente do céu”, sem uma avaliação criteriosa
de uma exegese bíblica, espírito humilde e de temor em oração, para discernir
com sabedoria se o que tem sido ensinado, enfatizado e ministrado em cursos,
CDs e DVDs são de fato verdade e que trazem edificação ao corpo!
É igualmente verdade que pastores e líderes maduros de
louvor também estão sensíveis ao mover do Espírito Santo em outras nações e não
desprezam de saída os “novos ventos”. Mas, daí a dizer que o que acontece lá
tem que acontecer aqui, é manipulação e tentação de uma geração “coca-cola”,
que adora fórmula pronta e novidades. Desculpem, se conhecessem o guaraná ou o
cajá.....
Mas não podemos esquecer que Deus é criativo e age
diferente em diversos lugares, respeitando as pessoas, suas histórias, suas
culturas. Deus não está a serviço de uma tendência de globalização, de o que é
bom na Austrália, Reino Unido e Toronto é bom para o sertão brasileiro, para a
América Latina e para a igreja no Quênia. Que os missiólogos digam amém!
Muitos destes modelos já tem de saída, no mínimo, motivações
dúbias, ainda mais quando aportam em nosso país com suas estruturas
empresariais logo após seus congressos e encontros, para “venderem” seus
produtos e artistas para nós. Nós que, além de “ministério”, somos também seus
mercados e clientes em potencial. E quando se mistura ministério e negócios,
como vemos na história da igreja, o resultado é quase sempre catastrófico para
a igreja e para o reino de Deus.
Frases como “Deus me falou, me revelou, me disse” que o
louvor é assim ou assado, não são suficientes para líderes servos, prudentes e
experimentados, que precisam avaliar tudo e todo o vento de doutrina ou
experiências pessoais de outros. Estamos inclusive numa fase no Brasil e no
mundo de ouvirmos sobre “institutos de adoração”, faculdades, que querem
ensinar o povo a adorar de verdade e sedimentar estes modelos.
Muitas delas, superpondo e seqüestrando o objetivo da
missão que é da igreja local, da comunidade dos santos de formar discípulos e
adoradores, da jornada peregrina de construir relacionamentos profundos com
Deus, com o irmão, na família e com o próximo. Adoração que não é apenas contemplativa
ou alienada, mas encarnada, numa espiritualidade realmente cristã presente em
todas as dimensões na vida.
Muitos já confusos em seu conceito de adoração, pois adoração
é um estilo de vida e não “um jeito X ou Y de fazer, de ministrar na frente, de
uma coreografia ou ênfase nova, de ritos externos, de ficar repetindo o que o
dirigente quer lá da frente à guiza de louvor profético, como se fôssemos seres
sem cérebro, irracionais. Adoração não depende de usar shofar ou trombone, de
alegorismos ou metáforas novas, de retorno ao louvor hebraico, de olhar para o
público ou dar as costas a ele”, dos mantras musicais atuais de ficar cantando
a mesma música durante 50 minutos levando o povo a uma catarse emocional e
proporcionando aos músicos e cantores uma inércia e inutilidade criativa.
Os ritos e esforços externos definitivamente não enganam
a Deus, que olha e sonda onde não vemos com Seu Espírito, isto é, a motivação, integridade
e verdade do coração. Por mais esforços que o homem faça para adorar, ele não
legitima adoração diante do Senhor, não garante que Deus aceitará qualquer
tentativa nossa de louvar e adorar.
Segundo Hebreus 13:15, é por meio de Jesus que devemos
oferecer sacrifícios de louvor. Somente a mediação de Jesus legitíma nossa
adoração, somente o fato de Jesus ter descido da glória, habitado entre nós e
ter ido até a cruz se entregando como adoração e louvor perfeito, torna nosso
louvor aceito pelo Pai. Nada que o homem fizer em seu esforço pessoal, pode
fazer a adoração chegar ao coração de Deus. A não ser reconhecer sua própria
inutilidade e incapacidade, num coração quebrantado e humilde, aceitando que
dependemos e precisamos de Jesus para adorar a Deus. Ele se fez adoração por
nós!
Se enchemos estádios, se caímos ou não no chão, se choramos
ou pulamos, se vendemos 100000 cópias, se ocupamos espaço na mídia, se temos
representação e distribuição em muitos países, nada disso é garantia de que
Deus aceita ou mesmo está neste processo. Não são modelos que abraçamos que
legitimam nossa adoração, mas a pessoa e obra de Jesus Cristo, nosso Senhor!
Que Deus nos ajude e nos guarde de erros e desvios! Paz seja
com todos

Comentários
Postar um comentário