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Deus é Soberano na Oração




Texto: 1ª João 5:14: E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.

Introdução

Há uma tendência universal de elevar a criatura e rebaixar o Criador, vemos isso em todo comportamento humano por desconhecer a Deus, mas não vemos isso apenas fora da Igreja, muitas vezes vemos isso dentro do rebanho daqueles que se declaram cristãos.

Vemos essa tendência nas músicas que cantamos reivindicando bênçãos, nas frases que usamos decretando ações Divinas e vemos isso também em nossas orações. Porém ao estudarmos a Palavra e vermos o que ela diz sobre a Glória de Deus vemos que não há espaço para esse tipo de pensamento. 

Não há lugar para que convivam nossas exigências, para os nossos direitos e para a soberana glória de Deus.

Afirma-se que a oração pode modificar Deus; pode mover o céu! Será?

Deus é Soberano Absoluto:

1 Samuel 2:6-8 - “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo.”

De fato a oração não muda os planos de Deus. Eles serão cumpridos independente e nossas orações. Deus não muda porque Ele é imutável:

Tiago 5:17 - “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”

Malaquias 3:6 - “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”

Os planos de Deus não mudam porque seu conselho é perfeito:

Romanos 11:33-36 - “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.”

Os planos de Deus não mudam porque seus decretos são eternos:

Efésios 3:10-12 - Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.

Salmo 119:142 - “A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade.”

Salmo 119:144 -  “A justiça dos teus testemunhos é eterna; dá-me inteligência, e viverei.”

Salmo 148:6 - E os confirmou eternamente para sempre, e lhes deu um decreto que não ultrapassarão.

Eclesiastes 3:14 -  Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele. 

Isaias 14:24-27 -  O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará. Quebrantarei a Assíria na minha terra, e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte deles e a sua carga se desvie dos seus ombros. Este é o propósito que foi determinado sobre toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem pois a fará voltar atrás?”

Nós é que precisamos entender quais são os planos de Deus para que nossas orações estejam de acordo com eles:

1 João 5:14 - “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”

Deus decretou os fins e os meios. Se Deus decretou um fato e que Ele ocorra através da oração de petição, Ele efetuará o fato, mas também concederá espírito de súplica. Lutero disse: “A oração não visa a vencer a relutância de Deus, mas a aprender-lhe a disposição favorável.”



TEMA: Se Deus só nos concede aquilo que é de Sua própria vontade, então qual o propósito da Oração?

 
I. A Oração tem o Propósito Trazer Honra a Deus
1.Pelo reconhecimento de seu domínio universal
2.Pelo reconhecimento de sua bondade, poder, imutabilidade, graça e soberania
3.Pelo reconhecimento de ser Ele o Autor de toda dádiva boa e perfeita.

 
II. A Oração tem o Propósito de Cumprir a Vontade Divina

A vontade dele é que cresçamos na graça: 2 Pedro 3:18 - “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.”

A vontade dele é que nos humilhemos perante Deus: Tiago 4:10 - “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.”
1 Pedro 5:5-7 - “Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”

A vontade dele é que cheguemos à presença de Deus: Hebreus 4:16 - “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça...”

A vontade dele é que exercitemos nossa fé: Hebreus 10:22 - “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé...”

A vontade dele é que o nosso amor seja fortalecido: Salmo 116:1 - “Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica.”

A vontade de Deus é que sejamos cooperadores de sua obra: 1 Coríntios 2:5-9 - “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.”
Paulo orava pelo seu povo (Rm.10:1), mesmo sabendo que muitos não iriam salvar-se. Por quê? Porque Paulo orava pela salvação dos eleitos: Romanos 10:1 - “Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação.”

Romanos 11: 1-6 - “Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.”  

 


Recapitulando:

I. A Oração tem o Propósito Trazer Honra a Deus
II. A Oração tem o Propósito de Cumprir a Vontade Divina



III. A Oração tem o Propósito de Conceder Bênçãos 

Nesse momento devem existir várias perguntas na cabeça de vocês, se todas as coisas vêm “dele e por meio dele e para ele” (Rm.11:36), então por quê orar? Se tudo já foi determinado, então para que orar?

Igualmente poderíamos perguntar: Qual é a necessidade de chegar-se alguém a Deus para   dizer-lhe aquilo que Ele já sabe? 4.A oração não tem o propósito de dar informações a Deus, mas expressar nosso reconhecimento de que Ele sabe o que precisamos: Mateus 6:8 - “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.”

desígnio da oração é este: ela não tem o propósito de alterar a vontade de  Deus, mas antes que ela seja cumprida.

Cristo sabia que seria exaltado pelo Pai, mas mesmo assim orou: João 17:5 - “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”

A vontade de Deus é imutável, e não pode ser alterada por nossos clamores. Nem as orações mais fervorosas podem alterá-la: Jeremias 15:1 - “Disse-me, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não estaria a minha alma com este povo...” 

Recapitulando:

A oração portanto tem:

I.             O Propósito de Trazer Honra a Deus
II.           O Propósito de Cumprir a Vontade Divina
III.        O Propósito de Conceder Bênçãos 
Conclusão

As crenças populares reduzem Deus à função de servo, cumprindo nossas ordens que enviamos através da oração. O que necessitamos é que Deus nos encha o coração com seus pensamentos, e então os nossos desejos serão iguais aos de Deus , e assim pediremos de acordo com sua vontade, e seremos ouvidos.

Rogar algo a Deus “em nome de Jesus” significa rogar-lhe algo em sintonia com sua vontade, ou com a natureza de Cristo. Pedir “em nome de Cristo” é como se o próprio Cristo estivesse fazendo a petição. Só podemos pedir a Deus aquilo que Cristo pediria.

Quando rogamos pela salvação de um pecador, estamos reconhecendo a soberania divina! 

O Rev. Samuel Falcão diz no seu livro PREDESTINAÇÃO que “Um calvinista é arminiano de pé, e um arminiano é calvinista de joelhos, porque os calvinistas apelam para a vontade do homem e sua escolha quando pregam, e os arminianos reconhecem que tudo depende de Deus quando oram. Devemos orar como se [porque] tudo dependesse [depende] de Deus, e pregar como se tudo dependesse do homem.” 

Algo como dizer que devemos orar como porque tudo depende de Deus, e pregar como se tudo dependesse do homem.”

Quando oramos pela salvação de alguém, um pecador morto em delitos e pecados, estamos pedindo a Deus que o ressuscite espiritualmente. Se pudéssemos ressuscitar mortos, nós mesmos converteríamos os pecadores, e não haveria necessidade de rogarmos a Deus.

James Packer, teólogo ingês diz sobre a oração no seu livro Evangelismo e Soberania de Deus: “Você ora pedindo a conversão de outras pessoas. Porém segundo quais termos você intercede por elas? Você limita-se a pedir que Deus as leve a um ponto em que possam salvar-se a si mesmas, independentemente dele? Não penso que você costuma fazer isso. Penso que o que você faz é orar, em termos categóricos, que Deus queira, de maneira simples e decisiva, salvar as pessoas; que Ele queira abrir os olhos do entendimento delas, abrandando os seus corações, renovando a natureza delas, e impulsionando suas vontades para que recebam o Salvador. Você pede que Deus opere nas pessoas tudo quanto for necessário para a salvação delas. Você nem pensaria em salientar, em sua oração, que você não está realmente pedindo de Deus que Ele leve as pessoas à fé, por reconhecer que isso é algo que Ele não pode fazer. Nada de coisas dessa ordem! Quando alguém ora em favor de pessoas não-convertidas, ora com base no pressuposto que está ao alcance do poder de Deus levar os pecadores à fé. E implora a Deus para que ele faça precisamente isso, e a sua confiança, na oração, repousa sobre a certeza de que Ele é poderoso para fazer o que lhe é pedido. E realmente Ele é poderoso para isso. Aquela convicção, que anima as nossas intercessões, é a própria verdade de Deus, escrita em nossos corações pelo Espírito Santo. Quando você ora, portanto, você sabe que Deus é quem salva; você sabe que o que faz os homens voltarem-se para Deus é a própria atuação graciosa de Deus que os atrai a si. E quando você ora, o conteúdo das suas orações é determinado por esse conhecimento. Portanto, pela sua prática de intercessão, não menos do que pelas suas ações de graças por sua conversão, você reconhece e confessa a soberania da graça de Deus. E o mesmo fazem todos os crentes, em todo lugar.” 

Aplicando isso praticamente em nossa vida podemos então nos colocarmos verdadeiramente da forma humilde como Deus quer que nos coloquemos diante dele e ao mesmo tempo poderemos descansar verdadeiramente ao saber que nada que nos acontece estará fora de Seus perfeitos e eternos decretos, nada fora de Sua santa vontade. E qual graça maior do que estar debaixo do amor daquele que é absolutamente soberano em tudo.





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