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Firme Seus Valores O Patrimônio Interior do Cristão Neste Mundo em Cristo. - Lição 12

Firme Seus Valores
O Patrimônio Interior do Cristão Neste Mundo em Cristo.




O objetivo desta lição e levar o leitor a refletir profundamente, a meditar muito sobre os comos e porquês, numa época em que a atitude mais popular é "não se envolver. Esperamos que o leitor "Firme Seus Valores" e maneira desafiadora.

Martinho Lutero disse:
"Quem prega o evangelho em todos os seus aspectos, menos nas questões relacionadas com os problemas de seu tempo, não está pregando o evangelho."

Embora ele fosse um monge do século XVI sua mensagem é um apelo à relevância. E foi com muita coragem que ele se aplicou às causas que realmente Importavam. Ele viu a igreja "doente", paralisada pela tradição, corrupção e apatia. Ele removeu os entulhos secos de uma formalidade sem sentido, desafiou interpretações bíblicas inexatas, e pregou toda a verdade, correndo o risco de ser considerado herege. E à medida em que o Espírito Santo lhe dava novas revelações e forças para prosseguir destemidamente, ele deu pulso firme a um novo grupo de cristãos - os "protestantes" - levando-os a uma reforma da igreja, um movimento que estava destinado a dar ao mundo os elementos essenciais da fé. Admiramos o trabalho dele até os dias de hoje.


Mas, talvez tenhamos necessidade de uma "nova" reforma. Nessas duas últimas décadas do século XX, os cristãos precisam de uma palavra nova, vital, para nosso tempo. Não novas revelações. Nem novas doutrinas. E nem mesmo um novo sistema teológico, necessariamente. O que precisamos é uma mensagem, firmemente ancorada em bases bíblicas, que tenha um sabor de relevância - de realidade autêntica. É a mesma verdade antiga, na linguagem de hoje. Nos dias de Lutero, isso implicou numa coisa: a necessidade de esclarecimentos para dissipar a ignorância. 

Hoje implica em outra: uma nova forma de comunicação para dissipar a indiferença.

SANTIDADE

“A Santidade está longe da aparência exterior.”

LEITURAS BÍBLICAS

Salmo 42
1 Coríntios 10:1-13 ; 9:24-27

INTRODUÇÃO

A vida agitada que levamos não favorece as características que geralmete associamos à santidade. Ao ouvir frases como “Tempo de ser santo, tu deves tomar, viver com teu Mestre, seu livro estudar. Tempo de ser puro tu deves achar. A sós sempre orando, com Cristo ficar.” É provável que nós creiamos nelas e até as defendamos, mas daí a pratica-las tem um abismo. Temos tempo realmente para fazer tais coisas?

Se a santidade fosse relacionada com um modo de vida, com a era dos veículos puxados a cavalo, então a maioria das pessoas estaria impossibilitada de ser santa. Embora possamos até gostar da idéia de uma vida mais tranquila, sem tantas pressões, o fato é que Deus não chama todo mundo para ter uma existência calma e certamente não chama a nós, que moramos em cidades grandes. No entanto algumas das pessoas mais santas vivem exatamente em áreas de grande agitação.

O QUE É SANTIDADE, ENTÃO?

O que significa exatamente ser santo?
Vamos tentar não associar santidade com uma certa posição geográfica, ou com certa cultura, ou com uma mentalidade tradicional. E muito fácil deixar que nossos preconceitos pessoais se manifestem e erroneamente definam o conceito de santidade com base em idéias parciais.

    Será que ser santo significa morar num local ermo, vivendo frugalmente, lendo a Bíblia constantemente à luz de velas?
    Ou quem sabe é esta aqui: a pessoa santa deve ser uma pessoa idosa, firme e determinada, que fica orando quase o dia todo, e não assiste televisão. Isso é santidade?
    Um homem pode ser santo e ainda assim ser um ativo negociante, ter uma mente arguta e sucesso financeiro?
    Uma pessoa que tem um Mercedes ... não é casada ... e (espere aí!) não vai à igreja todos os domingos pode ser santa?
    Para ser santo é preciso que eu vá para o alto de um morro, cante corinhos, ore e componha hinos com a letra dos salmos?
    Será que se uma pessoa é um atleta famoso, ou uma personalidade da televisão, ou se é rica, ou se gosta de coisas caras, se tem anéis de diamantes e relógios de ouro, essa pessoa não pode ser santa? Uma pessoa dessas não pode ser uma pessoa espiritual?
    Mais uma ... e essa pode ser meio dura. E quanto àqueles que ainda estão lutando com certas dúvidas, que ainda não aceitaram alguns pontos teológicos, que não compreendem muitos dos hinos cantados nas igrejas, que não estão por aí lendo livros evangélicos, etc.?

O leitor terá de concordar que santidade não pode ser confundida com aparência (embora seja difícil ultrapassar isso), ou com as posses de uma pessoa, ou com o carro que ela tem. Embora seja muito difícil nos libertarmos de pensamentos invejosos e críticos, é essencial que nos lembremos de que "O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração." (1 Sm 16.7.) Portanto, seja o que for que dissermos sobre santidade, uma coisa é fato: ela não é superficial. É algo que fica bem abaixo da superfície, bem no fundo, no plano da atitude... de uma atitude para com o próprio Deus.

Quanto mais penso nisso, mais creio que uma pessoa santa é aquela que possui um coração sensível para com Deus, uma pessoa que leva Deus muito a sério. Isso se revela numa prática muito óbvia: essa pessoa tem fome e sede de Deus. Nas palavras do salmista, o santo é aquele cuja alma "suspira" pelo Deus vivo.

Salmo 42:1,2
"Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, Ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo." 

OS ANTIGOS HEBREUS: RELIGIOSOS MAS NÃO SANTOS  

1 Coríntios 9:24-27
"Não sabeis vós que os que correm no estádio todos,. na verdade, .correm, mas um só leva o prêmio? CorreI de tal maneIra que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado."

São palavras de um homem santo. Ele não iria brincar com seu corpo. Por isso, recusou-se a ser dominado por ele, não deixando que ele ditasse as ordens. Ele "batia com força" (que é a tradução literal de "esmurro"), e estava decidido a dominá-lo, em vez de deixar que este o dominasse. Por quê? Vejamos outra vez o que ele diz. Ele não queria acabar derrotado. Paulo temia a idéia de ser desqualificado, de ser um pregador da justiça e santidade que acaba sendo vítima de seus próprios impulsos carnais. E isso pode acontecer facilmente nesta nossa geração cheia de superficialidade. Podemos estar andando com pessoas religiosas, aprender o linguajar delas, ficar familiarizados com suas coisas, participar de todas as suas atividades - isto é, publicamente. Podemos até defender nosso modo de vida com urna série de argumentos teológicos bem arranjados. E quanto melhor nos sairmos nisso, mais fácil será convencer-nos e aos outros de que estamos acertando em cheio. Só é preciso torcer um pouquinho as Escrituras e ter um sistema de racionalização bem lubrificado, e lá vamos nós. Logo duas coisas começam a acontecer: (1) realizamos só os nossos desejos (por mais errados que sejam); e (2) todo nosso senso de culpa (por mais justo que seja) é apagado. E se alguém tenta chamar-nos à razão, nós os tachamos de legalistas, e seguimos em frente. Outra coisa de que gostamos é falar muito sobre a graça, o perdão e a misericórdia de Deus, e cantar aquela conhecida musiquinha: "Ninguém é perfeito"

Paulo rejeitou tudo isso decisivamente. Ele não permitiu que o encaminhassem para um tal sistema de racionalização. Ele suspirava por Deus. Ele tinha uma profunda sede das verdades de Deus, para poder vive-las. Ele desejava ardentemente levar Deus a serio.

1 Coríntios 10:1-5
"Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem, como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual, e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto" 

Pegue um lápis e sublinhe a palavra todos, em todas as vezes que ela aparece neste texto. Aí você começara a entender. Todos eles tinham tudo!

   Orientação sobrenatural: uma nuvem de dia e uma coluna de fogo à noite.
   Uma libertação sobrenatural: a passagem pelo mar Vermelho.
   Uma liderança sobrenatural: Moisés, um homem de Deus.
   Um cardápio sobrenatural: maná do céu e água da rocha.

Percebeu? Eles .estavam cercados de privilégios sem precedentes. Milagres eram coisa corriqueira, do dia-a-dia. A presença de Deus era constante e sua operação evidente. Isso é que era super-revelação! A todo lugar que se ia, ouvia-se falar de Deus. É lógico que vivendo numa estufa assim, eles só tinham que florescer, certo?

Errado! O que acontece com um pano de prato que nunca seca, mas está sempre molhado, embolado numa pilha? Mofa-se. O que acontece a um vaso de cerâmica que permanece muito tempo exposto ao sol, sem receber uma brisa fresca, sem ir à sombra? Endurece e torna-se facilmente quebrável.

Foi o que aconteceu com a maioria das pessoas que saíram do Egito. Exagero? Essa terrível palavra "entretanto" diz tudo. Eles tinham todas aquelas oportunidades, entretanto ... Presenciaram diariamente a provisão divina, entretanto. Com o passar do tempo, os milagres foram perdendo a importância. Toda aquela conversa sobre Deus foi ficando azeda, criando mofo. Com o excesso de luz a que foram expostos, queimaram-se.

UMA ANÁLISE DA CARNALIDADE

Mas o que foi exatamente que aconteceu? Como aquilo poderia ter ocorrido? Por que não floresceram, tendo vivido como que dentro de uma maravilhosa "bolha" de bênçãos? Resumindo, o que sucedeu foi que não levaram Deus a sério. A presença divina, para eles, tornou-se coisa comum. O respeito que haviam tido por Jeová, e que os deixara boquiabertos, em silenciosa admiração, tinha-se degenerado, tornando-se um entediado bocejo de desrespeito.

1 Coríntios 10:6-11
“Ora, estas cousas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as cousas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para Gomer e beber, e levan¬tou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram num só dia vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor a prova, como alguns deles já fizeram, e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis como alguns deles murmuraram, e foram destruídos pelo exterminador. Estas cousas lhes sobrevieram como exemplos. e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado." (1 Co 10.6-11.)

Por mais incrível que isto possa parecer, o fato é que o povo que mais bênçãos tinha à sua disposição, em última análise foi o que menos delas se apropriou. Ao calor das melhores bênçãos de Deus, eles se tornaram frios, distantes, indiferentes. E isso não aconteceu de repente, mas de forma gradual e lenta; o vigor do seu entusiasmo foi-se tornando embotado. E, à semelhança de círculos espiralados, uma atitude foi-se transformando em outra, cada uma mais atrevida que a anterior, até que afinal todo o povo se posicionou contra Deus, de punhos cerrados e lábios insolentes.

APLICAÇÃO E ADVERTÊNCIA

Será que isso ainda acontece? Acontece. Esse perigo sempre existe em potencial: num lar crlstão onde se fala das coisas de Deus, sem leva-las a sério; numa instituição cristã, num, seminário;. onde falar sobre Deus se torna coisa esteril e academica; numa igreja cristã onde um bom púlpito se torna lugar comum, onde os membros se "estragam", facIlmente e se tornam mofados. Isso pode ocorrer ate numa organização missionária, ou numa obra evangéhca. Podemos cair numa rotina cansativa, se nao estivermos alerta ao perigo da erosão.

CONCLUSÃO

Sempre que essas advertências da Palavra de Deus são enunciadas surgem duas reações bem comuns:

1.  Isso nunca acontecer comigo.

Se esta for sua resposta, veja o que diz a Bíblia: Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que nao cala.”
Paulo temia o antiqüíssimo problema humano de conviver-se com certas verdades sem vivê-las ... ou de não levar Deus a sério.

2.  Eu me encaixo nessa condição que você descreveu; já fui longe demais para me recuperar.

Nada é difícil demais para o Senhor. Não há ninguém que tenha ido longe demais, a ponto de não haver mais esperanças para ele. Nunca é tarde demais para se começar a fazer o que é certo.

QUESTÕES PARA DEBATE

   Dê a definição de santidade. Explique, com suas próprias palavras, a diferença entre religião exterior e uma atitude espiritual interna.
   Será que pessoas ativas, que levam uma vida agitada, numa sociedade urbana, podem manter uma santidade autêntica? Fale sobre alguns dos perigos desta situação, e de como eles podem ser neutralizados.
   Releia a passagem de 1 Coríntios 10, e veja se consegue recordar as armadilhas em que os antigos hebreus caíram. Por que não podemos "jogar pedras" neles?
   Fale sobre as estratégias espirituais que você possa ter descoberto para levar Deus mais a sério. Cite duas ou três coisas que fazem com que a santidade pareça algo remoto e distante. Orem uns pelos outros.
   Nesta semana, memorize 1 Coríntios 10.12,13.
Repita o texto várias vezes por dia até que saiba dizê-lo sem consultar a Bíblia. Procure aplicar isso à sua vida nos dias seguintes, e veja como essa verdade pode ajudá-lo.

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