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Firme Seus Valores - O Patrimônio Interior do Cristão Neste Mundo em Cristo. - Lição 2


Firme Seus Valores
O Patrimônio Interior do Cristão Neste Mundo em Cristo.

O objetivo desta lição e levar o leitor a refletir profundamente, a meditar muito sobre os comos e porquês, numa época em que a atitude mais popular é "não se envolver. Esperamos que o leitor "Firme Seus Valores" e maneira desafiadora.

Martinho Lutero disse:
"Quem prega o evangelho em todos os seus aspectos, menos nas questões relacionadas com os problemas de seu tempo, não está pregando o evangelho."

Embora ele fosse um monge do século XVI sua mensagem é um apelo à relevância. E foi com muita coragem que ele se aplicou às causas que realmente Importavam. Ele viu a igreja "doente", paralisada pela tradição, corrupção e apatia. Ele removeu os entulhos secos de uma formalidade sem sentido, desafiou interpretações bíblicas inexatas, e pregou toda a verdade, correndo o risco de ser considerado herege. E à medida em que o Espírito Santo lhe dava novas revelações e forças para prosseguir destemidamente, ele deu pulso firme a um novo grupo de cristãos - os "protestantes" - levando-os a uma reforma da igreja, um movimento que estava destinado a dar ao mundo os elementos essenciais da fé. Admiramos o trabalho dele até os dias de hoje.

Mas, talvez tenhamos necessidade de uma "nova" reforma. Nessas duas últimas décadas do século XX, os cristãos precisam de uma palavra nova, vital, para nosso tempo. Não novas revelações. Nem novas doutrinas. E nem mesmo um novo sistema teológico, necessariamente. O que precisamos é uma mensagem, firmemente ancorada em bases bíblicas, que tenha um sabor de relevância - de realidade autêntica. É a mesma verdade antiga, na linguagem de hoje. Nos dias de Lutero, isso implicou numa coisa: a necessidade de esclarecimentos para dissipar a ignorância.


Hoje implica em outra: uma nova forma de comunicação para dissipar a indiferença.


ENVOLVIMENTO PESSOAL

“Não existe nada mais letal do que o isolamento"
Philipi Zimbardo (Psicólogo - Stanford University)

Leituras
Atos 2 ; 4
Romanos 12:9-16
1 Coríntios 12:10-27
Marcos 14:3
João 12:3

INTRODUÇÃO

Não existe nada mais letal do que o isolamento, nada agride mais física e mentalmente o homem do que estar isolado de outras pessoas. Muitas doenças já foram diagnosticadas como fruto do isolamento das pessoas. Vivemos cada vez mais isolados mesmo num mundo super povoado, mas todos a nossa volta são estranhos, simplesmente porque não nos envolvemos.

"Nenhum homem é uma ilha, inteira em si mesma; todo homem é uma parte do continente, um pedaço do território todo. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor... a morte de qualquer homem me diminui um pouco, pois estou envolvido com toda a humanidade; e, portanto, não mandes pergun­tar por quem é que o sino está dobrando; ele dobra por ti” John Donne, Devotions

Nossa geração mais do que qualquer outra vive desnorteada e isolada, não consegue entender o valor das inter-relações humanas, mesmo as relações familiares se resumem em fotos amareladas e ligações formais cada vez mais esparsas.

O QUE É ENVOLVIMENTO?

Um dicionário define estar envolvido como "ser Participante, ter uma relação bem próxima, ter conexão, estar incluído". Quando nos envolvemos com alguém, temos conexão com essa pessoa. E ao fazermos nossos planos, temos que pensar nela. E todas as nossas atividades são realizadas levando em consideração aquele indivíduo. Ele tem participação em nossa vida. Nós o incluímos em tudo que nos diz respeito.
Vamos desdobrar isso em termos práticos. Temos pelo menos quatro áreas de envolvimento.

NOSSO ENVOLVIMENTO COM DEUS

Anteriormente, esse envolvimento resultou em um novo nascimento pela fé em Jesus Cristo, e em nossa salvação. No presente, implica no nosso caminhar diário com Cristo, pela fé. Para nos mantermos em Íntima conexão com o Senhor. vamos pensar nele sempre que fizermos nossos planos para isso também oramos e exploramos os ricos tesouros de sua Palavra. Este é o relacionamento mais importante de nossa vida, mas não é algo que ocorre automaticamente.

NOSSO ENVOLVIMENTO COM OS MEMBROS DA FAMÍLIA

Pais, filhos, parentes, cônjuges ... crentes ou não, essas pessoas constituem nosso círculo mais íntimo. Nós as incluímos em nosso pensamento, naturalmente, umas mais que as outras.

NOSSO ENVOLVIMENTO COM OUTROS CRENTES

Geralmente essas pessoas são escolhidas dentre as que frequentam nossa igreja. E o número aumenta na medida em que nos relacionamos com os outros atraí­dos por interesses mútuos. Alguns sabem citar até centenas de amigos crentes com quem têm relaciona­mento. Isso constitui um fator importante em nossa capacidade de fazer frente à vida neste planeta, que, de outra forma, seria uma peregrinação solitária e desanimadora.

NOSSO ENVOLVIMENTO COM NÃO-CRENTES

Nós trabalhamos ao lado deles, tratamos com eles comercialmente, vivemos perto deles, vamos à escola com eles, e, de um modo geral, são eles que nos fornecem entretenimento. Infelizmente, a maioria dos crentes corta todos os laços mais íntimos com os não crentes após a conversão. Não admira, pois, que te­nhamos dificuldade em falar de nossa fé com outras pessoas. Trataremos deste assunto na lição 14.

O PORCO-ESPINHO

Vamos focalizar nossa atenção no terceiro tipo de envolvimento ­nosso relacionamento com outras pessoas da família de Deus. Quem não é crente ou é um novo-convertido pode pensar que o relacionamento entre um crente e outro é quase um gozo celestial. Pelo contrário. Embo­ra haja belíssimas exceções, o fato é que, segundo tenho observado, os crentes muitas vezes se acham em atrito com outros crentes.

Alguém já sugeriu que somos como um bando de porcos-espinhos numa fria noite de inverno. O frio nos força a aproximarmo-nos uns dos outros, formando um grupo compacto, para nos mantermos aquecidos. Mas quando começamos a nos aconchegarmos demais, nossos pontiagudos espinhos começam a espetar uns aos outros - e isso serve para nos afastar. Mas pouco tempo depois, começamos a sentir frio novamente e nos aconchegamos outra vez. para nos aquecermos, e de novo nos pomos a espetar 8 a picar uns aos outros. E assim ficamos nessa estranha e rítmica "dança tribal". Não podemos negar o fato: precisamos uns dos outros e. no entanto, estamos sempre distribuindo alfinetadas mútuas,

Como romper essa síndrome do porco-espinho, com envolvimento.

O ENVOLVIMENTO PESSOAL NO PRIMEIRO SÉCULO

Atos 2:42-45
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos. e tinham tudo em comum. "Vendiam as suas propriedades e bens. “Distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.”

A igreja acaba de nascer, não existe prédios, sociedades, ministérios organizados nem uma constituição, nem um pastor eleito, nem regulamentos. Mas se firmaram no conceito da koinonia , a comunhão de tudo entre todos.


Note que o envolvimento mútuo daqueles cristãos tinha quatro características:

1.   Era assumido por todos (a palavra "todos" apa­rece aí duas vezes).
2.   Fortaleceu-os fazendo com que se mantivessem juntos nos momentos de grande dificuldade.
3.   Era genuíno e espontâneo; nunca forçado. Ha­via sinceridade.
4.   Aumentou seu sentimento de unidade e de har­monia.

Atos 4:32,34,35
Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. E ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das cousas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Pois nenhum necessitado havia entre eles, por­quanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes, e depositavam aos pés dos apóstolos: então se distribuía a qualquer um à medida que  tinha necessidade."  

A lição que tiramos disso é que a koinonia bíblica nunca é algo que se vive sozinho. Em outras palavras, o plano de Deus para seus filhos é que eles se envolvam profundamente cada um com a vida de outros. Não é da vontade dele que comecemos a parecer autômatos, recobertos por uma camada fina de cromo, com ares de "não-me-toque", que nunca sofrem interferência de um superficial: "Como vai? Tudo bem?" ou "ai! Bom dia!" Aquele grupo de cristãos do primeiro século não sofria dessa enfermidade, a falta de envolvimento pessoal. Não havia entre eles nenhum porco-espinho.

PORQUE NOS ENVOLVERMOS

Romanos 12:9-16
O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No zelo não sejais remissos: sede fervorosos de espírito servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperan­ça,, sede pacientes na tribulação, na oração perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; pratica ai a hospitalidade; abençoai aos que vos perseguem, abençoais e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram. e chorai com os que choram. 'Tende o mesmo sentimento uns para com os outros em lugar de serdes orgulhosos. condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos  vossos próprios olhos”

Deus nos ordena rompamos o isolamento. Resumindo:

    Não finjam apenas amar aos outros, amem realmente;
    Odeiem tudo aquilo que é errado;
    Coloquem-se ao lado do bem;
    Amem-se com amor fraternal; e
    Honrem-se uns aos outros

O CORPO DE CRISTO PRECISA DE ENVOLVIMENTO

1 Coríntios 12:20-27
"O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos, são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos, revestimos de especial honra. Mas os nossos membros nobres não têm necessi­dade disso. Contudo Deus coordenou o corpo, conce­dendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado. em favor uns dos outros. De maneira que. se um membro sofre, todos sofrem com ele; e. se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. Ora, vós sais corpo de Cristo; e. individualmente, membros desse corpo."

A igreja de Cristo precisa do envolvimento dos seus membros para que funcione bem. Só com envolvimento evitam-se divisões, as doenças se curam, as fraturas se consolidam. E assim a igreja desempenha a sua função.

QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DO ENVOLVIMENTO

1.   Espontaneidade
2.   Vulnerabilidade
3.   Responsabilidade

CONCLUSÃO

Nós constituímos um único e sólido corpo; somos indivíduos, unidades separadas que realizam funções vitais. Somos responsáveis uns pelos outros. Como já mencionei, "Nenhum homem é uma ilha ... cada pessoa é um pedaço do continente".

É um conforto saber que todos estamos ligados uns aos outros, principalmente levando em conta que vivemos num mundo de isolamento e anonimato, um mundo indiferente e preocupado consigo mesmo. Alguém nos ama, Alguém se interessa por nós. Alguém nota quando sofremos, Esse é outro benefício do envolvimento.  corpo é um só e não há como os membros sobreviverem e cumprirem suas funções se estiverem desconectados uns dos outros, só com envolvimento verdadeiro teremos como funcionar verdadeiramente como igreja.

QUESTÕES PARA DEBATE

   Defina envolvimento com suas próprias palavras. Medite sobre o envolvimento e como ele fornece a solução para o problema do isolamento. Converse com alguém sobre isso. Numa escala de um a dez, que nota você daria para o seu envolvimento?
   Lembra-se do que dissemos sobre "síndrome do porco-espinho"? Seja bem sincero, e examine sua própria tendência de "empurrar" aqueles que tentam aproximar-se demais. É verdade ou não? Já se perguntou por quê?
   Neste capítulo, examinamos várias passagens das Escrituras, que são bastante elucidativas. Veja se recorda algumas delas que tiveram uma significação mais profunda para você. Se está num grupo, peça que abram a Bíblia nesses textos, e dirija um debate sobre eles.
   Quando abordamos as razões pelas quais o envolvimento é importante, consideramos duas delas: (1) porque Deus o ordenou, e (2) porque é necessário ao Corpo de Cristo. Medite bem nelas principalmente na segunda razão. Mencione bênçãos que outras pessoas lhe comunicam e que você mesmo não lhes comunica.
   Espontaneidade, vulnerabilidade e responsabilidade são três ingredientes importantes do envolvimento. Escolha um deles e medite sobre o seu valor. Lembra-se de algumas situações em que tenha visto isso acontecer com alguém?


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