Os
Evangélicos e seus ícones idolatrados.
Uma
vez há muito tempo atrás peguei uma briga porque disse que podíamos pecar
idolatrando Deus. Claro que no mundinho Gospell do senso comum e sem nenhum
senso crítico quase fui queimado na fogueira das vicissitudes evangélicas.
Antes
que alguns ainda queiram me queimar, vou desenhar. Quero dizer que em muitos
momentos nos idolatramos tanto o serviço a Deus que esquecemos de quem é o alvo
do serviço. Ainda não entendeu? Estou dizendo que muitas vezes os atos de nossa
vida realizados em nome de Deus são nos mais importantes do que O próprio. Se
ainda não entendeu peça a alguém para ler e traduzir para você.
Vou
voltar ao tema para falar de como no nosso mundinho evangelical temos criados ídolos com símbolos cristãos de
tal forma que os símbolos que deveriam apenas apontar para algo sublime,
tornam-se importantes para nós em si mesmos.
Não
são apenas os ícones óbvios como aquela Bíblia empoeirada aberta no Salmo 91.
Ou ainda os bordões de praxe, tipo: “Sangue de Cristo tem Poder.”, sei que com
esses quase todos concordarão. Mas antes de falar de coisas um pouco mais
camufladas e que nos pegam muitas vezes inconscientemente vamos ver alguns
casos bíblicos.
O
primeiro que queria citar é o caso do Bezerro de Ouro em Êxodo 32, um caso
clássico de idolatria, o povo pede a Arão uma imagem que eles possam ter como a
figura de um deus que os guie. O segundo caso é bem mais sutil. É o caso da
serpente ardente de Números 21. Enquanto o primeiro caso é um animal
representando a Deus o segundo é um animal representando a Cristo. Esse segundo
uma ordenança de Deus que abençoou o povo.
Muito
bem, tempos depois o mesmo povo é criticado por ainda depositar confiança na
mesma serpente, e o que outrora tinha sido um símbolo abençoador passou a ser
um símbolo amaldiçoador para o povo.
Em
Isaías vemos mais um caso de um povo extremamente dedicado ao serviço do culto
porém rejeitado por Deus por conta de suas intenções.
Dando
um salto para nosso mundinho modernoso, tão afeito a idolatrias, temos os casos
mais clássicos que são os ídolos vivos, a logos antropolatria Representados principalmente por
pastores, missionários, bispos, patriarcas e apóstolos televisivos.
Grupo
de música tornam-se ícones incontestes donos do “derramar” das bênçãos divinas.
Mas
esses ainda são os fáceis de perceber. O bicho começa a ficar mais difícil de
detectar quando partimos para idolatria de determinadas doutrinas. Hiper
calvinistas que se segurem, mas em muitos momentos até eu que acho a eleição
algo muito claro, sinto o debate ficar muito chato. Há os ativistas que
acreditam que símbolos e mensagens subliminares cristãs são capazes de mudar o
mundo. Essa é a turma das marchas e dos que acham que o mundo vai se acabar
mais rápido se for tirado o “Deus seja louvado” das notas de Real. Tá, eu
também acho que o tal procurador deveria procurar algo mais de útil para fazer,
e qualquer dia escrevo sobre a grande hipocrisia neoateísta, mas a expressão no
papel moeda em nada acrescenta a glorificação de Nosso Deus. Se você ainda não
sabe, Deus é glorificado na vida dos santos e não em monumentos.
Temos
ainda o caso dos que idolatram determinados textos bíblicos, os mais comuns são
o Salmo 23, o Bom Pastor, e Mateus 6, o Pai Nosso. Nada contra os textos, ambos
são lindas expressões da nossa relação com o Pai e de como ele nos ama, mas daí
a repeti-los corriqueiramente em grupo, nos parece muito com uma mandinga, ou
se preferirem, um mantra gospel, como se essas palavras em especial detivessem
poder em si mesmas. Alguém pode dizer que orar coletivamente é bom, sei não,
mas mesmo que seja, precisaria que me fossem apresentados argumentos para
tanto, porque não usar outros textos? Tantos Salmos são expressões de oração.
Pensando bem, isso já é feito com a leitura da Palavra. O Pai Nosso em nenhum
momento na Bíblia é tido como uma oração a ser repetida, sendo apenas um modelo
de como deve ser o nosso relacionamento com Deus de submissão e dependência. E
pelo menos que me lembre ele nunca mais é mencionado fora daquele contexto do
sermão do monte.
Há
os que idolatrem o culto em si mesmo. Acham que não? O que pensar dos que vivem
suas vidas de pílulas semanais de adoração. Todos já devem ter ouvido sobre a
necessidade de ser renovado indo ao culto periodicamente. Ou ainda aqueles que
entendem que você só se consagra se estiver pelo menos 6 dias por semana na
igreja. Não estou aqui dizendo que não devemos congregar. Devemos sim, mas pelo
motivo correto de glorificar a Deus, para alguns isso pode acontecer uma vez
por semana, para outros, ou em outros momentos seja importante e essencial
outros dias, isso é decisão pessoal, mas quando você começa a se preocupar
muito porque os outros não tem as suas mesmas necessidades me parece que o
objetivo da ação muda um pouco de foco.
Mesmo
a Santa Ceia que é um sublime meio de graça, pode se tornar um drops de energia
gospel. Quem a estabeleceu uma vez por mês? Não sei, mas certamente foi
circunstancial. Mas o que pensar quando por uma razão qualquer ela não acontece
no primeiro domingo, e depois vamos mudando as datas do mês seguinte para que a
mesma não fique muito próxima. Qual a razão? Tudo bem, que alguém pode dizer
porque não? Não, não tenho um porque não, mas creio que as tradições são assim
mesmo, elas invertem a questão, porque muda-la se não há uma razão, uma
necessidade plausível para que seja mudada, apenas pelo gosto do novo? Porque
não podemos ter culto em dois dias seguidos? Será que nos causará uma overdose
de Revangelique Bull, que te dá asas? Será que não estamos vendo os trabalhos,
os serviços na casa de Deus como um remédio que temos que tomar bem de acordo
com o receituário do dr. Gospel.
Bordões,
chavões e mesmo textos bíblicos não tem qualquer valor por si só. Lembro do
filme “A Hora do Espanto” a primeira versão. Tem uma cena em que o personagem
interpretado por Roddy McDowall estende o braço com uma cruz para o vampiro e
ele diz rindo que, “Voce precisa acreditar para funcionar”. Não basta andar com
a Bíblia agarrada ao peito, ela só lhe salvará se a bala for de pequeno calibre
e se sua Bíblia tiver uma capa dura. Caso contrário, ela só tem utilidade se
conhecer de verdade e entender a relação com seu autor. E entender humildemente
que o que Ele requer de nós sobremaneira é a consciência de que Seu amor nos
alcançou e que dependemos dEle, e que rejeitemos toda e qualquer adoração fora
dEle, Soli Deo Gloria.

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