Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional
Romanos 12:1
Há cerca de 4 anos atrás tive a oportunidade de dirigir algumas lições na Escola Bíblica Dominical baseadas nesse tema. Vamos passar a reproduzi-las aqui em partes e estaremos a disposição para que dúvidas sejam tiradas pelo email aplacido@gmail.com.
Questões a considerar:
–Podemos cultuar usando os elementos e
as orientações do Antigo Testamento?
–O culto atual tem que ser
contextualizado?
–Devemos perpetuar os ritos aos quais
já conhecemos?
–Jesus tornou tudo novo e devemos
abandonar toda a liturgia conhecida?
–Coloque-se como um membro da igreja do
primeiro séculos discutindo esse tema.
–Depois transponha-se para os dias de
hoje onde vivemos as mesmas discussões.
Precisamos ter em mente algumas
questões antes de penetrar nessa discussão
–O quanto das mudanças
implementadas e/ou desejadas e a resistência a elas tem a ver com as Escrituras
e quanto tem a ver apenas com a vontade humana;
–Os termos usados pela
Bíblia para descrever o culto a Deus não são os mesmos usados para descrever os
cultos que eram prestados aos outros deuses;
–Tanto no velho como no
novo testamento o culto a Deus é descrito principalmente como serviço;
–Liturgua (leitourgía,gr)
- serviço público, serviço do culto, Trabalho realizado por pessoas.
–No Antigo Testamento a
adoração era prescrita e controlada, com uma liturgia bem definida.
Vamos estudar a liturgia e
a adoração em cinco épocas diferentes no Antigo Testamento
I.Da criação ao Êxodo
II.Do Êxodo a Monarquia
III.Da Monarquia ao Exílio
IV.No Exílio
V.Após Exílio
I - Da criação ao Êxodo
–O Culto ao Senhor era
basicamente familiar, centralizado no altar e envolvia:
- Ofertas
de gratidão (Gn 4:1-6)
- Sacrifícios
de expiação de pecados (Jó 1:5)
II – Do Êxodo a Monarquia
–
Fase da “habitação” temporária de Deus o Tabernáculo;
–
O Tabernáculo e seus utensílios eram a representação do próprio
Deus;
–
Os ritos de adoração tornam-se mais rígidos e bem especificados na
lei dada por Deus a Moisés;
–
A Arca e a Mesa de Pães – Deus como Rei, Senhor e Provedor;
–
As Lâmpadas – Deus dirigindo seu povo;
–
O Incenso – A intercessão pelo povo;
–
O Altar – O lugar do derramamento de sangue para a purificação
–
O Tabernáculo ficava no meio do acampamento representando a
centralidade do culto a Deus na vida do seu povo;
–
Nem toda forma de adoração agrada a Deus, ele mesmo determinou
cerca de 40 capítulos da sua palavra determinando como queria ser cultuado;
–
O Fogo estranho deve ser evitado (Lv. 10:1-2);
–
Deus não proibe apenas a adoração a outros deuses mas também a
adoração feita da forma errada mesmo que dedicada a Ele (Ml. 1:7-10; Os. 6:4-6;
Am. 5:21)
III – Da Monarquia ao
Exílio
–
Período de grandes mudanças;
–
Israel se estrutura como nação;
–
O templo é construído;
–
Através de Davi são especificadas por Deus a separação das
atividades dos Levitas;
–
O culto a Deus no AT é altamente participativo;
–
Deus exige o envolvimento do adorador;
–
O povo é criticado pelos profetas quando passa a buscar o culto
apenas quando deseja as bençãos de Deus;
–
Deus requer um culto que envolva serviço não apenas um ritual
detalhado e que cause algum impacto no mundo a nossa volta.
IV – No Exílio
–
Não há mais templo, rituais aos quais o povo havia se acostumado;
–
A ordem religiosa está caótica;
–
Deus envia profetas como Ezequiel para instar o povo a retornar a
face para Deus e o adorar;
–
Começam a surgir os grupos localizados de adoradores dando início
ao que mais para frente serão as Sinagogas;
V – Após Exílio
–
Período iniciado com as obras de Esdras e Neemias;
–
O templo é reconstruído;
–
A figura do rei desaparece, a monarquia acaba, permanecem na
esperança do Messias;
–
O sumo sacerdote passa a ser o líder do povo;
–
O cativeiro se tornou o sacrifício pela expiação do pecado;
–
O povo se volta para a lei passando a reger todos os seus passos
pelas escrituras;
–
Nasce o Judaísmo movimento com ênfase na:
–
Circuncisão;
–
Guarda do Sábado;
–
Respeito as leis alimentares;
Esse quadro é propício ao
surgimento do Cristianismo
Resumo do Culto no Antigo Testamento
•
Adoração
–
Centralizada em Deus
•
Glória do Criador (Sl 19),
•
Glória ao Deus Altíssimo (Sl. 83:12),;
•
Glória ao Deus que vê (Gn 16:13);
•
Glória ao Deus protetor (Sl. 84:11);
•
Glória aos atos salvíficos (Ex. 15. Sl. 105);
•
Glória as ações bondosas (Mq. 6:8; Is. 1:13-17; Lv. 10:1-2)
–
Deus adorado pelo que Ele é, não limitado a experiências humanas
–
Oração e Confissão
–
O pecado tinha que ser coberto
–
Os sacrifícios do VT apontavam para o sacrifício de Cristo;
–
Todo culto tinha que envolver sacrifício; Transpondo para os dias
de hoje, não tem como existir culto sem cruz;
–
Gratidão
–
Os sacrifícios deviam ainda expressar gratidão devoção;
–
O povo era instado a compartilhar com os sacerdotes e com os menos
favorecidos;
–
No culto a Deus não há espaço para mesquinhez;
•
Instrução
–
É o meio através do qual Deus revela sua vontade;
–
Não pode ser menosprezada;
–
A Palavra de Deus deve ser explicada, ensinada ( Ne 8:3,7,8,12)
–
Deus fala e o homem se cala para ouvir;
–
A pregação fiel e cheia de autoridade honra e glorifica a Deus; Os
ouvintes são desafiados, os crentes edificados e a igreja fortalecida;
–
A adoração verdadeira só vem com o perfeito entendimento da lei,
da justiça e da misericórdia de Deus.
–
Sem instrução não existe adoração.
Teocentrismo x Antropocentrismo
–
Somos uma geração focada no homem;
–
A Igreja não pode seguir essa linha se tornando antropocêntrica;
–
A distração e o entretenimento não podem ter lugar no culto;
–
Nosso desejo de santidade deve ser maior do que o nosso desejo de
felicidade;
–
O culto pode e deve ser reconfortante e terapêutico, mas apenas se
o conseguir ser baseado na palavra e não na busca da satisfação pessoal.
John Armstrong
(Pastor, Dr. Armstrong é professor
adjunto de evangelismo no Wheaton
College
Graduate
School)
“Não
estamos no negócio de construir mosteiros evangélicos, mas congregações que
servirão o verdadeiro Deus como resultado direto da adoração. “
“A
verdadeira adoração é centralizada em Deus. Não é centralizada na ... estamos
verdadeiramente adorando a Deus; não deixamos simplesmente que as coisas ...
povo de Deus desfruta sob a nova aliança não lhes dá o direito de se reunirem
... Nós vamos à igreja para adorar pública e corporativamente”
Thomas
Watson
(c. 1620-1686)
Pastor Presbiteriano Inglês,
Puritano
"Muitos
vêm ouvir a Palavra somente para satisfazer seus ouvidos; eles apreciam a
melodia da voz, a doçura suave da expressão, a novidade do conceito (At.17:21).
Isso é amar mais o enfeite do prato do que o alimento em si; isso é o mesmo que
desejar mais agradar a si mesmo do que ser edificado. É o mesmo que uma mulher
que pinta o seu rosto e se esquece de sua saúde".

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