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Verdadeiros Adoracdores III - O Culto no Novo Testamento



Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional
Romanos 12:1


Há cerca de 4 anos atrás tive a oportunidade de dirigir algumas lições na Escola Bíblica Dominical baseadas nesse tema. Vamos passar a reproduzi-las aqui em partes e estaremos a disposição para que dúvidas sejam tiradas pelo email aplacido@gmail.com. 



•       Questões a considerar:
–      Onde a igreja primitiva realizava seus cultos?
–      Quais os elementos do culto neo-testamentário?
–      Culto é uma questão exclusivamente de forma?
–      Culto é uma questão exclusivamente de essência?
–      O que o Novo Testamento tem a nos ensinar no culto a Deus?
•       Faça uma avaliação entre a prática do culto contemporâneo com o que era feito no culto do NT
•       Coloque-se como um membro da igreja do primeiro séculos discutindo esse tema.
–      Depois transponha-se para os dias de hoje onde vivemos as mesmas discussões.

•       Algumas verdades de início:
–      A verdadeira adoração envolve tanto o intelecto quanto emoção;
–      A centralidade é em Deus e não no adorador; Porém isso não impede do mesmo ser agradável ao segundo também;
–      Cada aspecto do culto deve estar em harmonia com a Palavra de Deus;
–      O culto a Deus é uma atividade diária;
–      Existem tres dimensões para o culto:
•       Pessoal;
•       Familiar; e
•       Público;
–      Ao fim da liturgia no templo recomeça a liturgia da vida.

•       Culto Pessoal
–      Culto não é ritual, melodia, formas, palavras, cânticos, símbolos, ofertas etc.
–      Culto é vida em ação; Um ato de resposta a bondade de Deus;
–      Fomos chamados com uma finalidade:
•       “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome" (Hb 13:15)
–      O Culto pessoal envolve diretamente nossas ações no dia a dia:
•       Ajuda aos necessitados;
•       Comportamento no trabalho, escola, família etc.;
•       A vida do adorador deve ser reflexo vivo e verdadeiro daquilo que é apregoado.

•       Culto Familiar
–      Realizado em pequenos grupos nos lares;
–      A palavra Oikos aparece mais de 10 vezes em Atos dos apóstolos, se referindo a reuniões nas casas;
•       At 2:46 - A Ceia do Senhor era celebrada em cada casa na sua refeição;
•       At 5:42 - A casa do convertido era usada como local de adoração e ensino, identificando-o como cristão na comunidade;
•       At 20:20 – Equilíbrio do programa - ensinando tanto na reunião pública quanto na familiar.;
•       Rm 16:3 e 5 - Priscila e Áquila recebiam em sua casa um grupo. A igreja cristã de Roma era composta desses vários grupos nos lares.
•       1 Co 16:19 - Quando estavam em Éfeso, Áquila e Priscila também recebiam a igreja em sua casa. Assim vivia a igreja cristã: durante a semana a igreja se reunia nas casas, e no dia do Senhor a reunião ocorria num só local - o templo.

•       Culto no Templo
–      Realizado no templo no primeiro dia da semana (At. 20:7);
–      No domingo era realizada a Ceia, um ato de comunhão dos irmãos;
–      Paulo indica o dia reservado a adoração no templo (1 Co 16:2);
–      Os cultos não tinham como objetivo principal o evangelismo e sim o encorajamento mútuo e a adoração a Deus;
–      Era um serviço sobretudo dos já regenerados;
•       "Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes façamos admoestações e tanto mais quanto vede que o Dia se aproxima” (Hb 10:24-25).
–      A presença dos incrédulos nos cultos ocorria até por ser um evento público, mas não era o alvo principal da reunião; (1 Co 14:23)
•       O evangelismo ocorria na vida diária de cada um;
–      O Culto da igreja neo-testamentária nunca se caracterizou pelo pragmatismo. Ou seja decisões tomadas em função dos resultados desejados;

•       Elementos do Culto Neo-Testamentário
–      Leitura e pregação da Palavra (CI 3:16; 2Tm 4:2)
•       Segundo Klaus Douglass (Alemão: Escritor e pastor Luterano), a mensagem tem sete funções:
•       Explicar e esclarecer verdades profundas da fé;
•       Dar orientações sobre como devemos viver e agir como cristãos;
•       Edificar a igreja;
•       Levar pessoas à fé;
•       Fortalecer a fé;
•       Consolar e animar os que estão em dificuldades;
•       Tirar pessoas da sua inércia.
•       A esta suficiência das Escrituras no culto cristão os reformadores chamaram de princípio regulador do culto;
•       Na adoração coletiva, a pregação da Palavra é essencial. As atividades da igreja do Novo Testamento eram centralizadas na doutrina dos apóstolos no partir do pão e nas orações

–      Oração (Ef 5:20; lTm 2:8; At 2:42)
•       As orações podem ser de:
–      Adoração;
–      Invocação;
–      Confissão;
–      Petição;
–      Agradecimento;
–      Intercessão; etc.
•       Devem ser dirigidas a Deus;
•       Devem ser coerentes com a Palavra de Deus;
•       Não precisam ser recheadas de palavras rebuscadas, mas devem evitar também o simplismo;
•       Devem ser dirigidas com respeito e dignidade;
•       Não devem ser recados a outros ou mesmo pregações subliminares, nem meras repetições de textos bíblicos.

–      Hinos e cânticos espirituais (CI 3:16; Hb 13:15)
•       A música pode, às vezes, nos comover pela beleza da melodia, mas este sentimento, por si só, não é adoração.;
•       Para ser adoração a música deve:
–      Ter verdades bíblicas contidas em suas linhas para que seja um recurso legítimo e fomente a verdadeira adoração;
–      Expressar nossa relação com Deus ;
–      Caracterizar nossa comunhão com os irmãos e contribuir como veículo de proclamação da verdade de Deus (Ef 5:19; CI 3:16).
•       A música não deve:
–      Nos levar a sobrepor o emocional sobre racional;
–      Nos embalar num ritmo que nos faça perder o foco da adoração;
–      Ser um mecanismo de catarse coletiva e extravasamento de emoções pessoais.
•       É importante salientar que música é música em qualquer situação, o que tratamos aqui é do uso da música como elemento de adoração no culto.

–      Serviço mútuo (At 2:45; CI 3:16)
•       Mais uma vez lembremos que essencialmente, na Bíblia, culto é serviço, algo que fazemos para outros;
•       Primeiramente, o culto cristão é um ato divino;
•       Respondemos ao favor de Deus concedido a nós, Seus filhos;
•       Ele veio ao nosso encontro, chamou-nos, aceitou-nos, deu-nos o Seu perdão e nos trouxe à Sua presença;
•       À medida que, corretamente motivados, servimos o nosso próximo, estamos servindo a Deus;
•       A entrega de bens quer no dízimo, quer em ofertas deve ser um ato de adoração a Deus, reconhecimento dos seus benefícios e meio de atender as necessidades do próximo.
•        
–      É possível hoje realizar o culto à luz dos princípios da igreja neo-testamentária?
–      Não podemos moldar nossa adoração as necessidades do mundo;
–      Nosso objetivo principal deve ser adorar a Deus em espírito e em verdade;
–      Nosso culto deve ser a manifestação de um coração grato a Deus pelos seus benefícios;
–      O nosso culto deve ser regulado e pautado pela Palavra de Deus;
–      O culto deve ser um meio de levar-nos a um conhecimento mais profundo de Deus.

Augustus Nicodemos Lopes
(Pastor Presbiteriano, chanceler da Universidade Mackenzie)

“... é importante reconhecer ... que o Espírito age principalmente a favor dos interesses de Cristo, visando glorificá-IO e exaltá-IO. Esse princípio aplica-se também ao culto cristão. Esse princípio litúrgico precisa ser resgatado: o culto é voltado para Deus. É teocêntrico - e nisso, cristocêntrico, não antropocêntrico. Nada mais deve ocupar o lugar de Cristo no culto."


John Stott
Bispo Anglicano Inglês (Entre dois mundos)

"A Palavra e a adoração pertencem indissoluvelmente uma à outra. Toda a adoração é uma resposta inteligente e amável à revelação de Deus, porque é a adoração do seu nome. Portanto, a adoração aceitável é impossível sem a pregação. Pregar é tornar conhecido o nome de Deus, e adorar é louvar o nome do Senhor sobre o qual fomos informados. Ao invés de ser uma intrusão alienígena à adoração, o ler e o pregar a Palavra são realmente indispensáveis à adoração.“

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