A
palavra liturgia (do grego λειτουργία, "serviço" ou "trabalho
público") compreende uma celebração religiosa pré-definida, de acordo com
as tradições de uma religião em particular; pode incluir ou referir-se a um
ritual formal e elaborado (como a Missa Católica) ou uma atividade diária como
as salats muçulmanas.[1]
A
liturgia é considerada por várias denominações cristãs, nomeadamente o
Catolicismo Romano, a Igreja Ortodoxa, a Igreja Presbiteriana e alguns ramos
(Igrejas Altas) do Anglicanismo e do Luteranismo, como um ofício ou serviço
indispensável e obrigatório. Isto porque estas Igrejas cristãs prestam
essencialmente o seu culto de adoração a Deus (a teolatria) através da
liturgia. Para elas, a liturgia tornou-se, em suma, no seu culto oficial e
público.
O
artigo 7 da Constituição Presbiteriana, sobre o culto público diz: “O culto
público é um ato religioso, através do qual o povo de Deus adora o Senhor,
entrando em comunhão com ele, fazendo-lhe confissão de pecados e buscando, pela
mediação de Jesus Cristo, o perdão, a santificação da vida e o crescimento
espiritual. É a ocasião oportuna para a proclamação da mensagem redentora do
Evangelho de Cristo e para a doutrinação e congraçamento dos crentes.”[2]
O
pensamento de alguns expoentes da apologética cristã dizem:
Muitas
pessoas acreditam que Deus aceitará qualquer coisa oferecida por adoradores
bem-intencionados. Está claro, porém, que a sinceridade não é prova de um culto
verdadeiro. Qualquer culto anormal ou elaborado por conta própria são
totalmente inaceitáveis para Deus.
- John MacArthur Jr.[3]
[...]
mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e
tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as
imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer
representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas
Escrituras - Confissão de fé de Westminster.[4]
O
calvinismo, com sua ênfase na centralidade das Escrituras, é mais do que um
sistema teológico é, sobretudo, uma maneira teocêntrica de ver, interpretar e
atuar na história. Hermisten
M.P. Costa.[5]
De
acordo com os reformadores em diversas fontes podemos entender que a liturgia
cristã reformada é caracterizada um culto cujo o objetivo é de glorificar a
Deus, composto pelos elementos: leitura da palavra, oração, canto, sacramento,
sermão baseado nas Sagradas Escrituras. Estes elementos devem se combinar para dar
voz a doxologia[6]
oferecida pelo seu povo.
Conceituado
o que é liturgia fica mais fácil de entender como a questão tem sido relegada a
um plano desimportante em muitas igrejas.
Muito
comum ver programas litúrgicos desconexos entre suas partes, sem sentido comum,
descasados da pregação da palavra (esse sem dúvida o equívoco mais comum).
Muitos,
modernamente, entendem que culto é invocação da divindade, para que o Deus
invocado se coloque a serviço dos invocadores. Outros pensam que culto é uma
festa espiritual com o objetivo de alegrar os fiéis. Quanto mais festivo, mais
espiritual é o culto, pensam os ludinistas. Os idólatras acham que culto é
veneração e adoração do divino consubstanciado ou materializado em ícones, que
lhes servem de símbolos e objetos de fé [7],
notem que alguns objetos de fé podem estar sendo transformados em ícones
sutilmente, como a oração do Pai Nosso, a Ceia e mesmo a própria Bíblia podem
virar objeto de idolatria. Um equívoco bem frequente é entender o bezerro do
Sinai como adoração a um outro Deus, naquele momento, de forma totalmente
equivocada e abominada por Deus. O bezerro era uma representação do próprio
Deus para o povo.
Liturgia
é a manifestação pública do encontro de Deus com seu povo. Liturgia é culto.
Mas
antes de falarmos um pouco mais detalhadamente vamos elencar alguns erros
cometidos ao inserir-se coisas na liturgia que jamais deveriam fazer parte
delas. Avisos, deveriam estar nos boletins, nos quadros, ou pelo menos antes do
início do culto. Saudação a visitantes, outra coisa muito comum mas que não faz
parte do culto a Deus. Homenagens, testemunhos são também situações estranhas a
um culto a Deus. Um equívoco muito comum é ter um mini culto dentro do culto. O
já consagrado chamado, mais uma vez equivocadamente, momento de louvor, tem se
tornado de fato um mini culto, onde as pessoas oram, leem a Bíblia, pregam,
testemunham (!?) e claro cantam, produzindo uma liturgia não definida pelo
pastor ou por quem ele tenha designado, dentro da liturgia publicada ou não no
boletim. Existem dois itens que não são consenso, ofertório e benção
apostólica.
Dito
isso voltemos a questão da liturgia, tendo em mente o que aprendemos na Bíblia,
que nada, absolutamente nada é mais importante do que a adoração a Deus, nem
mesmo o penhor evangelizador, não nos é difícil entender que a liturgia deve
ser pensada, escrita e conduzida de forma a lembrar sempre a congregação de
forma sóbria o mandato de Glorificar a Deus.[8]
O
fato de na liturgia reformada os atos serem distribuídos de forma equilibrada é
proposital para destacar que todos são igualmente importantes em nossa vida
diária. A ordem dos atos deve ser conduzida de forma a nos levar a um
aprofundamento na compreensão do que Deus deve ser para nós.
Conheci
a igreja numa época em que os atos do culto sequer eram anunciados, as pessoas
se compenetravam de tal forma na liturgia que em geral estava impressa que os
atos de adoração fluíam de forma tranquila sem interrupções.
Obviamente
o papel do liturgo é e sempre será fundamental. A sobriedade, serenidade na
condução dos atos faz com que a congregação tenha um entendimento mais
claro e um comportamento mais adequado.
Não confundir sobriedade com ser sisudo, mas bate-papos e cumprimentos a frente
transmitem uma ideia errada de comportamento a congregação no culto.
Num
aspecto prático cada ato litúrgico deveria ser composto com os elementos do culto
apenas. Deve-se evitar elementos executados repetitivamente tais como leitura
em cima de leitura, oração em cima de oração. A música cumpre um papel
fundamental e deve estar distribuída em todo o serviço e ligada aos atos e não
concentrada em um único momento com trinta, quarenta minutos.
Há
um equívoco reinante de que espontaneidade e organização são incompatíveis e
outro pior ainda que tenta nos fazer crer que sinceridade só existe com
espontaneidade. Primeiramente tendo até a concordar que espontaneidade favorece
a sinceridade, porém quem disse que a adoração a Deus mesmo sincera pode ser
feita de qualquer forma?
Concluindo
os atos de Invocação, Adoração, Contrição, Edificação, Comunhão e Consagração
devem estar todos presentes ao longo da liturgia, e quem faz deles mera ação mecânica
ou um ato de verdadeira adoração a Deus é nosso coração.
[1] Oxford
Dictionary of World Religions, p.582-3 (em inglês).
[2] Manual
Presbiteriano, 15ª edição, São Paulo: Cultura Cristã,1999
[3] John
MacArthur Junior, Redescobrindo o ministério Pastoral, p. 261
[4] Confissão
de fé de Westminster, Cap.XXI, §1
[5] Hermisten
M.P. Costa , Curso Introdutório de Homilética , 2001, p. 18 (Curso promovido
pelo conselho da Igreja Presbiteriana Ebenézer, Osasco, SP � 8-11/01-01)
[6] Do
grego δόξα [doxa] "glória" + -λογία [-logia], "palavra" - fórmula
de louvor e glorificação
[7] O
Culto, Opúsculo II , p. 3
[8] 1 Coríntios 10:31; Romanos 11:36

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